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Vinho Verde ou Maduro?
Sabe-se que o Vinho Verde é um produto único em todo mundo, de espírito singular e inimitável, todavia muitos crêem que este tipo de vinho seja elaborado a partir de uvas não completamente maduras, verdes.
De fato, a imagem é comum, mesmo entre alguns apreciadores informados, mas não tem qualquer fundamento.
A designação Vinho Verde é atribuída a uma região vitivinícola portuguesa, tal como as regiões do Douro, Dão, Ribatejo ou Bairrada. Na verdade, a região ganhou o nome de Vinho Verde por ser a mais verde e húmida de Portugal, o Minho, e não pelas características das suas uvas ou cor dos seus vinhos, que poderão ser brancos, tintos ou rosados.
Contudo, não se admire se for a um restaurante ou bar em Portugal (principalmente no norte) e se deparar com uma carta de vinhos como esta…

Vinhos portugueses são destaque no International Wine Challenge
Os vinhos portugueses conseguiram mais um feito naquele que é provavelmente o mais mediático concurso de vinhos do mundo, o International Wine Challenge, realizado em Londres. Nesta 27ª Edição, que contou com cerca de 10 mil amostras de vinhos e sakés, oriundas de 46 países, Portugal arrecadou 597 distinções - 35 Medalhas de Ouro, 145 Medalhas de Prata, 198 de Bronze e 219 Menções Honrosas. Este concurso internacional contou ainda com a presença de 356 degustadores.
Note que para se obter uma medalha de ouro, os vinhos têm que obter uma pontuação entre 95 a 100 pontos; 90 a 94 pontos, uma medalha de prata e 85 a 89 pontos uma de bronze. A menção “Commended” (Menção Honrosa) destina-se a vinhos entre 80 a 84 pontos.
Para mais informações, visite o site http://www.internationalwinechallenge.com/
O grande diferencial deste evento é a tripla degustação a que os vinhos premiados se encontram sujeitos, o que garante realmente a qualidade do produto, o que, infelizmente, nem sempre acontece neste tipo de concursos.
De fato, nestes últimos anos, os concursos de vinho têm vindo a proliferar mundo afora, aumentando consequentemente o número de medalhas que um determinado vinho poderá receber. No fundo, para que essas medalhas realmente pudessem ter algum significado ou até mesmo servir de referência para os consumidores, ter-se-ia que primeiramente conhecer os critérios utilizados para a premiação, como por exemplo saber quais os outros vinhos que participaram na competição, o júri ou até mesmo as categorias avaliadas.
Como isto não se verifica na grande maioria dos concursos, poucas medalhas têm, portanto, real significado.
De Portugal para o Mundo
Portugal já era um país produtor de vinhos antes da nacionalidade, fazendo parte do Velho Mundo vinhateiro geneticamente ligado ao Mediterrâneo. Porém, os vinhos lusos acompanharam as navegações e os descobrimentos, testemunhando a ascenção e a queda do Império.
De fato, o investimento além fronteiras, de algumas empresas portuguesas ligadas ao sector vitivinícola, como é o caso da Sogrape, já têm vindo a apaixonar os mais exigentes apreciadores e críticos de vinho em Portugal, mas não só. Recentemente, as duas principais publicações da especialidade, a revista americana Wine Spectator e a inglesa Decanter colocaram os vinhos da Framingham entre os melhores da Nova Zelândia. Dois destaques internacionais que têm impacto em todo o mundo.
Presente na Nova Zelândia desde 2008, a Sogrape orgulha-se dos excelentes resultados dos vinhos Framingham, em particular da presença de Framingham Sauvignon Blanc 2009 na lista dos “TOP 10 Outstanding Sauvignon Blancs”.
A Sogrape reforçou ainda mais a sua posição a nível internacional com a compra da empresa chilena Los Boldos à família Dominique Massenez. Esta aquisição representa, desde 2008, a entrada da Sogrape num dos principais países produtores de vinho do Novo Mundo e o alargamento do seu portfólio aos reconhecidos vinhos chilenos.
O sucesso da estratégia da Sogrape também se verifica na Argentina, onde o crescimento da Finca Flichman está cada vez mais evidente ano após ano. No ano em que a marca completa 100 anos de existência, a empresa adquiriu uma nova adega ao grupo Pernod Ricard. A adega Lujan de Cuyo, localizada em Pedriel, Mendoza, irá permitir à Finca Flichman aumentar a sua capacidade de produção em mais de 4,1 milhões de litros.
Contar a história da Sogrape é, acima de tudo, recordar as realizações dos homens que a criaram e fizeram crescer, que idealizaram, produziram e divulgaram os bens que a tornaram conhecida e que, com coesão, asseguram a sua continuidade.
Sem comentários »França recupera o pódio na produção mundial de vinhos
Segundo dados da OIV, organização internacional de referência no âmbito da vinha e do vinho, a França retoma o primeiro lugar da produção mundial de vinho em 2009. Os gauleses teriam perdido o pódio em 2008 para a Itália, num mercado cada vez mais competitivo.
Todavia, os 45,7 milhões de hectolitros estimados para a produção francesa em 2009 não permitem aos produtores gauleses uma vitória folgada sobre os 45,5 milhões de hectolitros dos produtores italianos, mas chegam para repor um pouco do seu orgulho ferido.
Embora ainda sem dados para a produção do ano passado na China e Rússia, a OIV prevê que, à excepção dos dois países já citados acima, todos os outros principais produtores mundiais de vinho mantenham as posições relativas que ocupavam em 2008.
Produção Mundial em milhões de hectolitros em 2009, segundo dados da OIV:
1. França - 45,7
2. Itália - 45,5
3. Espanha - 34,2
4. Argentina - 13,9
6. Austrália - 11,7
7. China - 12,0 (dados de 2008)
8. África do Sul - 9,9
9. Alemanha - 9,4
10. Chile - 8,8
11. Rússia - 7,1 (dados de 2008)
12. Portugal - 6,1
O total da produção mundial deverá situar-se entre 262,8 e 273,1 milhões de hectolitros, o que considerando a média destes dois valores (268 milhões) a coloca num nível praticamente idêntico a 2007 (266,1 milhões) e 2008 (267,8 milhões).
Estes números estão muito aquém dos anos anteriores, pelo que os analistas advertem que o atual equilibrio de forças deverá ser modificado nos próximos anos, face a condições conjunturais, quer de ordem econômica, quer a nível climatérico.
Na verdade, os hábitos de consumo também estão a mudar. Enquanto na Europa, onde se produz e consome mais de 50% do vinho produzido no mundo, a tendência é para uma redução quer a nível de produção, quer de consumo, muitos outros mercados do globo caminham a passos largos para uma nova realidade.
Hoje em dia, já não só os Estados Unidos, onde o hábito de beber vinho aumenta a cada dia, mas também a China desponta como um novo mercado alvo a ser descoberto. A Índia, Brasil e Angola, onde uma feroz concorrência já se faz sentir, também não deverão ser descartados.
No Novo Mundo, os vinhos do Chile e da Argentina há anos que estão a ganhar terreno em termos de visibilidade no resto do mundo. Até mesmo produtores ainda modestos, embora em franco crescimento, como a Nova Zelândia, por exemplo, vêem os seus vinhos ganhar novas fronteiras.

Curso Básico de Vinhos na Di Vino Adega & Empório
Que turma fantástica esta.. Sabiam que até já tenho saudades das nossas “serenatas” de sextas?
De fato, foram três noites bem intensas, que tive o prazer de compartilhar com todos vós.
Relembrando a primeira aula, começámos por definir o que era o Vinho, abordámos alguns aspectos históricos, a sua importância na sociedade e as tendências internacionais de plantação, produção e consumo. Verificámos, também, as principais diferenças entre Novo e Velho Mundo, entrando no Mundo Vitivinícola de cada país, como Chile, Argentina, Estados Unidos da América (Califórnia), África do Sul, Austrália, Nova Zelândia (Novo Mundo) e França, Itália, Portugal, Espanha e Alemanha (Velho Mundo).
Os vinhos escolhidos para análise sensorial foram:
Vinho Verde Adega Cooperativa de Amarante Branco 2007
Marson Reserva Ancelota 2003
Morandé Pionero Carmenère 2007
Vinhos estes já comentados anteriormente no blog.
Foram, ainda, degustados os vinhos: Casa de Sarmento Vinho Regional Alentejano 2006 e o Isla Negra Cabernet Sauvignon/Merlot 2007
Na segunda aula começamos por assistir um video das Regiões Vitivinícolas do Brasil, falámos das diferenças entre a espécie Vitis Vinifera e as demais espécies Vitis, abordámos as variedades de uva internacionais, como as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling e as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Syrah, entre outras tantas.
O conceito de Terroir, bem como as principais limitações para o cultivo da vinha (influências e limitações geo-climáticas) foram, também, abordados. Posteriormente, foram classificados os diversos tipos de vinhos, como frisantes, espumantes, tintos, brancos, rosés e os demais vinhos de sobremesa (fortificados e licorosos), explicando-se também os seus diversos processos de vinificação e estabilização. Finalmente, as principais diferenças entre os processos de amadurecimento e envelhecimento (madeira vs. garrafa), que o vinho sofre ao longo do tempo, foram desvendadas.
Nesta segunda aula tivemos o prazer de degustar o Espumante Brut Marson Méthode Charmat, Casa de Sarmento Trincadeira 2006 e o Altos Las Hormigas Malbec 2008, para além de outros tantos vinhos bem harmonizados com o coquetel que o Chef Henrique Aquino teve a gentileza de elaborar.
Já na terceira e última aula começámos por discutir os princípios de degustação, os sentidos utilizados na Análise Sensorial, os critérios para apreciação e prova de vinhos, bem como os sabores elementares, procedendo-se também à classificação dos aromas do vinho.
Outros capítulos abordados neste curso foram a guerra das rolhas (cortiça vs. sintética), o serviço do vinho (acessórios, temperatura e decantação), a interpretação do rótulo e contra-rótulo e armazenamento e guarda (condições ideais para a conservação do vinho). Finalmente, foram abordadas algumas noções de harmonização eno-gastronómicas.
Nesta aula foram devidamente avaliados os seguintes vinhos:
Morandé Reserva Sauvignon Blanc 2007
Veo Grande Reserva Cabernet Sauvignon 2008
Veo Grande Reserva Cabernet/Syrah 2008
Todos eles com ótima relação qualidade/preço.
Mas, ficou uma dúvida no final… Qual é, então, a diferença entre os dois Veos? Alguém arrisca uma sugestão?
Após a análise destes vinhos fomos, mais uma vez, contemplados com um maravilhoso coquetel preparado pelo Chef Henrique Aquino, que nos acompanhou durante as três aulas do curso. Coquetel este, que como não podia deixar de ser, bem regado com outros tantos vinhos!
O Marcos ainda teve a sorte de ser sorteado com um Bordeaux, apesar de já ter nomeado o Sr. Álvaro (o aluno mais dedicado que tive até hoje) como contemplado. Sem dúvida, um gesto nobre que teve ao me pedir que fizesse o sorteio!
No final do curso fiz, ainda, questão de brindármos à sua conclusão com um ótimo espumante argentino, o Finca Fiorella Demi Sec! Tchim, tchim.. “À nossa”!!
Notas de prova
Vinho Verde Adega Cooperativa de Amarante Branco 2007
Produtor: Vercoope - Adega Cooperativa de Amarante
Região: Vinhos Verdes (Minho), Portugal
Sub-Região: Amarante
Castas: Azal e Pedernã
Teor Alcoólico: 9,5% vol.
Notas de prova: De aspecto brilhante e cor amarelo-palha, este vinho verde é medianamente alcoólico, com 9,5% vol. e ligeiramente acídulo, graças ao gás carbonico que lhe confere frescura e um toque de subtileza.
Elaborado com as castas Azal e Pedernã, também denominada Arinto, é um vinho harmonioso, com aromas delicados e frutados e que expressa as suas características varietais. É elegante e leve, uma companhia perfeita para as tardes de Verão que se avizinham.

Marson Reserva Ancelota 2003
Produtor: Vinhos Marson
Região: Serra Gaúcha, Brasil
Castas: Ancelota
Teor Alcoólico: 12,3% vol.
Notas de Prova: De cor grená e com um certo halo de evolução, este Ancelota (variedade italiana, oriunda da Emiglia Romana) possui boa fluidez.
Possui um intenso e persistente aroma a especiarias (pimenta) e frutas vermelhas bem maduras, onde sobressaem certas notas de água de azeitonas. Na boca revela uma acidez balanceada, taninos já domados e um retrogosto persistente. É um vinho evoluído que merece ser degustado pelo fato de ser diferente dos demais que estamos habituados.

Morandé Pionero Carmenère 2007
Produtor: Viña Morandé
Região: Valle del Maipo, Chile
Castas: Carmenère
Teor Alcoólico: 14,0% vol.
Notas de Prova: Vinho limpo, de intensidade profunda e cor vermelha púrpura intensa e densa. No nariz, denota-se logo à partida, o seu elevado teor alcoólico, pelo que necessita de ser decantado. Após decantação, este Carmenère revela certas notas herbáceas, terrosas e amadeiradas, chocolate e frutas vermelhas, como amora e cereja.
Na boca demonstra fraca adstringência, de taninos suaves e boa persistência, com retrogosto predominante de frutas vermelhas, especiarias e notas tostadas de madeira, com ligeiras nuances de menta e eucalipto.
É um vinho jovem, com ótima relação qualidade/preço.

A minha pátria - Região do Dão
A Região do Dão, disposta no centro-norte de Portugal, tem uma superfície geográfica de cerca de 376.000 hectares, mas só em cerca de 20.000 ha se encontra vinha numa cadeia de afortunadas coincidências geográficas, que se desenvolve em circunstâncias específicas.
Tal como acontece com todas as grandes regiões nobres do Mundo, a Região do Dão tem encepamento obrigatório. De fato, as castas são um fator preponderante. Em conjugação com a natureza dos solos, as condições edafo-climáticas e o empenho do homem, estas contribuem grandemente para a definição do carácter e qualidade dos vinhos, razão pela qual os melhores vinhos DOC Dão são produzidos com as castas recomendadas para a região:
Castas Tintas: Alfrocheiro, Alvarelhão, Aragonês (Tinta Roriz), Bastardo, Jaen, Rufete, Tinto Cão, Touriga Nacional e Trincadeira (Tinta Amarela).
Castas tintas utilizadas na elaboração do DOC Dão com designação “Nobre”
Touriga Nacional num mínimo de 15%, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Jaen e Rufete, no conjunto ou em separado, até 85%.
Castas Brancas: Barcelo, Bical, Cercial, Encruzado, Malvasia Fina, Rabo de Ovelha, Terrantez, Uva Cão e Verdelho.
Castas brancas utilizadas na elaboração do DOC Dão com designação “Nobre”: Encruzado num mínimo de 15%, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho, no conjunto ou em separado, até 85%.

Restaurante Quinta de Santa Maria
O Restaurante QUINTA DE SANTA MARIA acabou de receber a recomendação da Veja - São Paulo como um dos melhores restaurantes portugueses de São Paulo.
Numa região com poucas ofertas gastronómicas, o empresário português João da Mota, juntamente com a sua esposa Dora, montaram este fantastástico espaço com uma decoração que lembra Portugal. De fato, os proprietários trouxeram de além-mar vários itens, como alguns bordados, cortinas, lustres e azulejos tipicamente portugueses.
Sempre atentos à preparação das iguarias oferecidas no Restaurante, Dora e João, estão praticamente sempre presentes neste espaço que tem muito para oferecer. Receitas à base de bacalhau, como os famosos bolinhos de bacalhau e posta grelhada na brasa guarnecida de batata cozida com brócolis salteado no azeite são duas das mais variadas opções que merecem a pena serem apreciadas.
Este espaço possui, também, uma adega climatizada para mais de 2.000 garrafas, onde se destacam os rótulos portugueses.
Vale a pena visitar:
www.quintadesantamaria.com.br
Rua Cerro Corá, 1548, Alto da Lapa
Tel: (11) 3022-2499
Horário de funcionamento: 11h/15h30 e 18h/0h (sex. e sáb. sem intervalo; dom. só almoço até 18h)
Primeira turma em São Paulo!
Olá queridos alunos,
Querem uma pequena ajuda, àcerca do que vos pedi? Então, aqui vai um pouco de história e dos principais factores que afetam a Região dos Vinhos Verdes em Portugal.
A cultura da vinha tem remotas tradições na Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Apesar da mais antiga menção conhecida ao Vinho Verde se encontrar num documento datado de 1606, passado pela Câmara do Porto, a dimensão comercial do Vinho Verde apenas surgiu verdadeiramente no século XX. Foi nessa altura que, pela primeira vez, se definiu em termos legais, o que mais tarde se entenderia por Vinho Verde e se delimitou a sua Região produtora (1908), se regulamentou o seu comércio (1922) e, finalmente, se criou a sua Comissão de Viticultura (1926).
Apenas mais tarde, em 1949, viria o reconhecimento da Denominação de Origem do Vinho Verde pela OIV (Office International de la Vigne et du Vin) e, posteriormente, em 1973, o registro internacional desta Denominação de Origem, na OMPI (Organização da Propriedade Intelectual), em Genebra.
O reconhecimento e o registro internacional da Denominação de Origem constituem como que um corolário, quer na adaptação das castas e técnicas culturais, quer no esforço de sistematização das características próprias e diferenciadas do Vinho Verde. A Denominação de Origem veio assim conferir, à luz do direito internacional, a exclusividade do uso da designação Vinho Verde a um vinho com características únicas, já consagradas por uma longa tradição e associá-la a uma região produtora bem determinada e inconfundível, a Região do Minho.
A atual Região Demarcada dos Vinhos Verdes estende-se por todo o Noroeste do país, pouco abaixo da fronteira espanhola, zona tradicionalmente conhecida como Entre-o-Douro-e-Minho.
Tem como limites geográficos, a norte, o Rio Minho, fazendo fronteira com a Galiza (Espanha), a nascente e a sul zonas montanhosas, que constituem a separação natural Entre-Douro-e-Minho Atlântico e as zonas do país mais interiores, de características mediterrânicas e, por último, o Oceano Atlântico, que constitui o seu limite poente.
O clima da Região é fortemente condicionado pelas características orográficas e pela organização da sua rede fluvial. O aspecto mais marcante é o regime anual da chuva, que se caracteriza por uma média total anual bastante elevada, sensivelmente de 1500 mm, e uma irregular distribuição ao longo do ano, concentrada majoritariamente no Inverno e Primavera. Relativamente à temperatura média anual, esta pode ser considerada não excessiva, o que se traduz num regime de clima ameno.
Os solos, na maior parte da Região, têm origem na desagregação do granito. Caracterizam-se, em regra geral, por apresentar pouca profundidade, texturas predominantemente arenosas a franco-arenosas (ligeiras), acidez naturalmente elevada e pobreza em fósforo. Os níveis de fertilidade são naturalmente baixos, porém, dada a natureza dos sistemas agrários praticados nesta Região, os solos apresentam uma considerável fertilidade adquirida. O segredo desta fertilidade poderá resumir-se a dois principais tipos de intervenções do homem em condições naturais, pelo controle do relevo através da construção de socalcos e pela incorporação intensiva de matéria orgânica no solo.
As castas da Região e, apenas cultivadas no Noroeste Ibérico, são consideradas autóctones. Estas constituem um dos fatores que traduz com maior intensidade a especificidade do Vinho Verde, para além de ajudarem na distinção das suas Sub-Regiões (Monção, Lima, Basto, Amarante, Ave, Baião, Cávado, Paiva e Sousa).

Portugal e suas Regiões Vitivinícolas
Há muitos séculos atrás, Portugal, país de longa tradição vinícola, iniciou a sua história com a implantação da vinicultura pelos romanos.
Apesar de ser um país com apenas 590 km de comprimento e 200 de largura, ocupa o 14º lugar na produção mundial de vinhos. Neste país à beira mar plantado crescem mais de 230 variedades de uva, muitas delas antigas e raras, muito provavelmente trazidas para Portugal pelos fenícios, diretamente do Médio Oriente.
Mais do que qualquer outro país europeu, Portugal permaneceu arraigado às suas tradições. De fato, a vitivinicultura portuguesa demorou a evoluir tecnologicamente, contudo nas últimas duas décadas, como consequência do importante desenvolvimento económico, político e social do país, a vitivinicultura portuguesa experimentou grande evolução, particularmente no campo tecnológico. Fato importante é que esta modernização foi realizada sem descartar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo, a utilização de variedades de uvas autóctones e tradicionais. Com ajuda da tecnologia, estas castas, que antes originavam vinhos de qualidade inferior, passaram a originar grandes vinhos, com o aperfeiçoamento das suas características ímpares.
Portugal enfrenta, assim, a globalização de estilos e preferências de consumo, investindo na preservação das características e tradições dos seus vinhos.
Nos últimos anos, com a adesão na CE (Comunidade Europeia), em 1986, o vinho português ampliou a sua qualidade e visibilidade internacionais, conquistando uma posição merecida pela qualidade e diversidade dos seus vinhos. Diversos enólogos portugueses despontam como artistas no cenário mundial, com vários rótulos Top, ganhando prestígio internacional.
De fato, a indústria portuguesa de vinhos teve que se reestruturar dramaticamente. O Douro, Região delimitada em 1756, e as demais outras trinta e nove das cinquenta e cinco Regiões Vitivinícolas de Portugal são hoje consideradas como Denominações de Origem Controlada (DOC). A legislação DOC de Portugal é semelhante às leis de Appéllation d’Origine Contrôlée da França.
Os vinhos DOC deverão, então, atender a exigências rigorosas, estabelecidas pelo Instituto da Vinha e do Vinho, bem como por numerosas comissões locais. As exigências em relação às Regiões Vinícolas estipulam o total de hectares que podem ser plantados, a variedade de uva, o rendimento máximo, o método de vinificação, o período mínimo de envelhecimento dos vinhos, assim como as informações que deverão constar no rótulo. De fato, a maioria dos Vinhos Portugueses são denominados segundo a área geográfica de onde provêm – Douro, Dão, Bairrada, Alentejo, etc. No entanto, alguns vinhos também são rotulados de acordo com a casta, devendo respeitar o percentual mínimo, de 85 %, isto é, quando a variedade de uva é mencionada no rótulo, pelo menos 85 % das uvas desse mesmo vinho deverão ser dessa mesma variedade.
Mas, qual o meu espanto, quando soube que…
…duas dessas regiões vitivinícolas passaram a ser agora designadas de um modo diferente. O vinho regional - classificação dada a vinhos de mesa com Indicação Geográfica, tratando-se, também, de vinhos produzidos numa região específica de produção e elaborados com no mínimo 85% de uvas provenientes da mesma região e de castas identificadas como recomendadas e autorizadas - que antes era produzido na Região da Estremadura (Vinho Regional Estremadura) passou a ser designado de Vinho Regional Lisboa e o Vinho Regional Ribatejano passou a ser denominado de Vinho Regional Tejo.
De fato, esta alteração tem uma explicação lógica. O VR Estremadura, que agora passou a ser designado por VR Lisboa, deve-se ao fato desta região vitivinícola fazer fronteira direta com a capital portuguesa (Lisboa) e VR Ribatejo, que passou a denominar-se de VR Tejo, deriva do fato de o Rio Tejo banhar esta região e ter uma enorme importância na geografia portuguesa, servindo como canal de transporte de produtos no mercado português.









