Pinot Noir
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Publicado por Inês em 25 Jan 2010 | sob: Castas, Pinot Noir, Borgonha, França, Chardonnay, Bordeaux, Terroir, Grand Cru, Cru, Premier Cru, Micro-clima, Sub-solo, Solo, Clima, Topografia, Orografia, Geologia, Pedologia, Drenagem, Condução da vinha, Porta-enxerto, Intervenção humana
A palavra terroir é uma modificação linguística de formas antigas, com origem no termo em latim “territorium”.
Segundo o dicionário Le Nouveau Petit Robert (edição 1994), terroir designa “uma extensão limitada de terra, considerada do ponto de vista das suas aptidões agrícolas”.
Representa, assim, um número complexo de factores que influenciam a biologia da videira, determinando a qualidade final da uva e consequentemente do vinho resultante. Falar de terroir é falar de topografia, orografia, geologia, pedologia, drenagem, clima e microclima, condução da vinha, castas, porta-enxerto, intervenção humana, cultura, história, tradição, etc.
Poder-se-á dizer, então, que o termo terroir representa a interação entre o meio natural e os fatores humanos. De fato, não abrange somente os aspectos do meio natural (clima, solo, relevo), mas também e, de forma simultânea, os fatores humanos da produção. Na verdade, o terroir é revelado pelo homem, pelo saber-fazer local.
Hoje em dia o termo terroir remete-nos a uma conotação positiva em relação ao vinho. Contudo, nem sempre foi assim. No século XIX, em França, o termo era associado a um vinho que não tinha caráter nobre (cru). O termo terroir veio apenas a ganhar uma conotação positiva nos últimos 60 anos, quando a valorização da delimitação das vinhas, nas denominações de origem, em França, veio a distinguir critérios associados à qualidade de um vinho, incluindo o solo e as castas utilizadas, dentre outros.
Borgonha é a região do Mundo onde a noção de terroir tem melhor expressão. A superfície das vinhas ou Crus é reduzida, por vezes dividida por dezenas de proprietários, e em cada Cru, (ou Climat) existe uma grande homogeneidade de solo, subsolo, microclima, quase sempre com uma única variedade plantada (Chardonnay ou Pinot Noir), para além de existir uma homogeneidade na forma de condução e das técnicas culturais e enológicas. Já em Bordeaux, pelo tipo de parcelamento e presença de mais castas, cada Chateau é uma soma de terroirs distintos.

De fato, os Grand Cru borgonheses ou os Premier Cru bordaleses estiveram sempre ligados ao alto prestígio, à exclusividade e a preços altos.
Portanto, poder-se-á afirmar que terroir não representa apenas fatores como o clima, solo, variedade de uva e intervenção humana, mas também, história e mercado.
Publicado por Inês em 07 Jan 2010 | sob: Pinot Noir, Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Riesling, Vitis vinifera, Vitis rupestris, Vitis aestivalis, Vitis labrusca, Vitis riparia, Concord, Isabel, Niagara, Syrah, Pinotage, Cinsault, Hermitage
A uva é a matéria-prima do vinho e o principal fator da sua qualidade. Já a videira, de onde provêm as uvas, é uma planta botanicamente classificada, que pertence ao género Vitis, dentro do qual se encontram englobadas 21 espécies – 17 americanas, 3 asiáticas e 1 européia.
As espécies americanas e asiáticas produzem uvas denominadas “comuns”, que originam vinhos inferiores, mas são apreciadas como uvas de mesa ou utilizadas para a produção de sumo de uva. Na verdade, os seus frutos, menores e menos doces, poderão desenvolver odores e sabores desagradáveis quando vinificados, sendo por este fato os seus vinhos considerados de baixa qualidade. Vitis rupestris, Vitis aestivalis, Vitis labrusca e Vitis riparia são exemplos de várias espécies de uvas americanas, cujos exemplos mais conhecidos são as variedades Concord, Isabel e Niagara.
Todavia, as uvas da espécie européia, denominada Vitis vinifera, fornecem vinhos de qualidade, desde que as características do solo, do clima e até mesmo das diversas técnicas vitivinícolas sejam adequadas.
O número de variedades de uva (castas) utilizadas na elaboração de vinhos é realmente vasta. Então, como distingui-las? É possível identificar uma determinada variedade e estabelecer as diferenças entre ela e as demais através da ampelografia, ciência que estuda as videiras e as uvas.
Desde que existam condições ideais, quer a nível do solo, quer do clima e até mesmo técnicas vitivinícolas adequadas, a Vitis vinifera origina bons vinhos. De fato, a mesma casta em solos e climas diferentes origina vinhos diferenciados, embora alguns componentes aromáticos próprios da casta se mantenham.
Porém, muitas dessas castas possuem clones geneticamente desenvolvidos para melhor adaptação a certos tipos de clima e solo e, há casos em que algumas se adaptaram realmente bem a diferentes regiões do planeta, como por exemplo a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Syrah e Riesling.
Existem, também, variedades denominadas híbridas, resultantes de cruzamentos interespecíficos ou intervarietais, como é o caso da casta sul-africana Pinotage, que resulta do cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault, também denominada Hermitage na África do Sul.
Publicado por Inês em 15 Dez 2009 | sob: Carmenère, Chile, Pinot Noir, Vale de Casablanca, Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Novo Mundo, Malbec, Sauvignon Blanc, Viognier, Gewürztraminer, Riesling, Andes, Cordilheira da Costa, Santiago, Valparaíso, Limarí, Elqui, Vale de San Antonio, Vale de Leyda, Vale Central, Vale do Maipo, Vale do Rapel, Vale do Curicó, Maule
A qualidade constante dos vinhos chilenos torna este país num dos mais importantes produtores de vinhos do Novo Mundo. O clima com bastante insolação, baixo índice pluviométrico e elevadas amplitutes térmicas, faz com que os seus vinhos atinjam uma perfeita concentração de açúcar e polifenóis, destacando-se pela elegância.
Além do mais, os seus vinhos são elaborados com variedades de uva que estão entre as mais conhecidas no mundo, tanto tintas, como mais recentemente brancas. Aos Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère, que dominaram as exportações no final do século XX, somaram-se agora os Syrah, Pinot Noir, Malbec, Sauvignon Blanc, Chardonnay e até Viognier, Gewürztraminer e Riesling muito respeitáveis e de preço médio.
Durante décadas, as vinhas estiveram concentradas num corredor de planície fértil entre os Andes e a Cordilheira da Costa, mas os incansáveis empreendedores da viticultura do Chile experimentam muito mais hoje.
O Vale de Casablanca, frio e quase costeiro, situado entre Santiago e Valparaíso, desenvolveu-se num ritmo veloz na década de 1990. Hoje em dia, o mapa vitivinícola estende-se a norte até Limarí e Elqui, em latitudes que antes eram consideradas baixas demais para a produção de vinhos de qualidade.
Agora, o Vale de Casablanca tornou-se sinónimo de qualidade de vinho branco chileno, encorajando o desenvolvimento de outra região, situada nas colinas da costa do Vale de San Antonio, que possui uma sub-região oficialmente reconhecida a sul, o Vale de Leyda, que dá prioridade às castas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Todavia, a área vitícola mais importante chilena é, sem dúvida, o Vale Central, com suas quatro regiões denominadas em alusão aos Vales do Maipo, Rapel, Curicó e Maule que atravessam a planície central, penetrando na cordilheira da costa e encontrando o mar.
Publicado por Inês em 16 Set 2009 | sob: Reportagens, Vinho e aquecimento global, Pinot Noir, Borgonha, França
Esta semana, li uma notícia, que me deixou bastante intrigada: “A uva Pinot Noir está ameaçada de extinção”!
A variedade Pinot Noir é sem dúvida a protagonista de muitos vinhos, principalmente dos franceses da região de Borgonha, que primam pela sua elegância, finesse e complexidade. De fato, é na sua terra natal, Borgonha, que a Pinot Noir atinge o seu auge de qualidade. Porém, hoje há ótimos Pinot Noirs de regiões como Oregon, do Chile, África do Sul, Austrália, Argentina e Nova Zelândia, sem contar que é também uma das principais variedades de uva utilizadas na elaboração dos Champagnes.
Esta notícia, divulgada esta semana por ambientalistas do Greenpeace, alertam-nos para o efeito do aquecimento global no mundo do vinho. Esta alteração climátiva, verificada nas últimas décadas no nosso planeta tem alterado a temperatura e o regime de chuvas, afetando diretamente as características de muitos vinhos que conhecemos ao redor do planeta.
Um regime de calor mais intenso, naturalmente, altera não só o metabolismo das plantas, mas também dos animais. Climas mais quentes forçam uma maior incidência de radiações solares sobre o nosso planeta, induzindo as plantas a fazerem mais fotossíntese, que no caso das plantas se traduz em uma maior produção de açúcar. Tal fato reflete diretamente no equilíbrio de um vinho. É só lembrar que a fermentação alcoólica implica em uma conversão dos açúcares em álcool, ou seja, estes dois factores são diretamente correlacionáveis, logo uma concentração de açúcares mais elevada implicará um teor alcoólico mais elevado.
Infelizmente, parece que teremos que nos reacostumar com os aromas e sabores únicos de alguns vinhos, se nada for feito contra o aquecimento global… por isso, pessoal, protejam o nosso planeta e, consequentemente, ajudaremos a preservar as características de certos vinhos que tanto estimamos!
Um abraço a todos,
Inês