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Vinhos mono ou multivarietais?
Até há poucos anos atrás, a maior parte da produção mundial de vinho era multivarietal, isto é, os vinhos eram elaborados a partir de várias variedades de uva. Na verdade, haviam poucas vinícolas que fizessem uma seleção criteriosa das castas, pelo que o vinho era originário de uma ou outra região, assumindo o respetivo blend de castas.
Em tempos idos, alguns visionários começaram a plantar e a vinificar castas que não eram tradicionais na sua região, procurando dois objetivos. Por um lado, avaliar o interesse dessas castas para a melhoria dos seus próprios vinhos e, por outro, analisar a sua adaptação ao terroir para a produção de vinhos monovarietais, feitos a partir ou majoritariamente de uma casta apenas.
Após algum tempo esta prática expandiu-se, todavia com outros objetivos. Muitos dos que criticavam a sua prática generalizada, sobretudo no Novo Mundo, renderam-se. Consequentemente, a pressão de um mercado imediatista e facilmente manipulado por uns quantos ditos especialistas, ajudou este impulsionamento. Até os concursos internacionais monovarietais passaram a ser um chamariz interessante para esta prática.
Entretanto, alguns trabalhos foram desenvolvidos no sentido de melhorar a produção vitícola, começando pela seleção das castas mais adequadas a cada região, a cada terroir. De fato, esses trabalhos tiveram extrema importância na melhoria dos vinhos, principalmente nos oriundos do Velho Mundo.
Na verdade, o progresso vitivinícola foi notório em todos os campos, tanto para as práticas vitícolas, como enológicas e até mesmo para a comercialização dos vinhos e marketing.
Este processo foi, com certeza, um mal necessário. Contudo, trouxe consigo uma perda da variedade e da riqueza do vinho, da sua autenticidade e carácter. A meu ver, ter-se-á, portanto, que explorar a diversidade das castas e a consequente diversidade dos vinhos e não o contrário. Sendo assim, o caminho da globalização dos vinhos passa cada vez menos pela uniformidade e cada vez mais pela diversidade, ou seja, terá que haver um mercado para os vinhos massificados, mercado esse que tende a ter preços cada vez mais baixos e, por outro lado, um mercado para os vinhos que afirmam a sua diversidade, identidade e carácter, mercado este que tenderá a ser mais estratificado e com preços mais elevados.
1 comentário »Chile - Principais Castas e Regiões Vitivinícolas
A qualidade constante dos vinhos chilenos torna este país num dos mais importantes produtores de vinhos do Novo Mundo. O clima com bastante insolação, baixo índice pluviométrico e elevadas amplitutes térmicas, faz com que os seus vinhos atinjam uma perfeita concentração de açúcar e polifenóis, destacando-se pela elegância.
Além do mais, os seus vinhos são elaborados com variedades de uva que estão entre as mais conhecidas no mundo, tanto tintas, como mais recentemente brancas. Aos Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère, que dominaram as exportações no final do século XX, somaram-se agora os Syrah, Pinot Noir, Malbec, Sauvignon Blanc, Chardonnay e até Viognier, Gewürztraminer e Riesling muito respeitáveis e de preço médio.
Durante décadas, as vinhas estiveram concentradas num corredor de planície fértil entre os Andes e a Cordilheira da Costa, mas os incansáveis empreendedores da viticultura do Chile experimentam muito mais hoje.
O Vale de Casablanca, frio e quase costeiro, situado entre Santiago e Valparaíso, desenvolveu-se num ritmo veloz na década de 1990. Hoje em dia, o mapa vitivinícola estende-se a norte até Limarí e Elqui, em latitudes que antes eram consideradas baixas demais para a produção de vinhos de qualidade.
Agora, o Vale de Casablanca tornou-se sinónimo de qualidade de vinho branco chileno, encorajando o desenvolvimento de outra região, situada nas colinas da costa do Vale de San Antonio, que possui uma sub-região oficialmente reconhecida a sul, o Vale de Leyda, que dá prioridade às castas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Todavia, a área vitícola mais importante chilena é, sem dúvida, o Vale Central, com suas quatro regiões denominadas em alusão aos Vales do Maipo, Rapel, Curicó e Maule que atravessam a planície central, penetrando na cordilheira da costa e encontrando o mar.
Novo Mundo vs. Velho Mundo
No atual quadro vitivinícola mundial tem-se, por um lado, uma Europa Ocidental, tradicionalmente produtora de vinho, detentora da maior área e produção vitivinícolas.
Por outro lado surge a vitivinicultura do Novo Mundo, ainda em fase de expansão, quer das suas áreas, quer da produção ou até mesmo dos seus mercados, representada em particular pelos EUA, Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
O Velho Mundo possui uma legislação fortemente condicionada em fase de encontro com um novo ponto de equilíbrio com o mercado, quer pela redução das suas áreas de produção, quer pela melhoria qualitativa dos seus vinhos.
Por outro lado, o Novo Mundo, ainda em fase de expansão, apresenta condições naturais geralmente privilegiadas para uma viticultura de qualidade, onde foram acrescentadas as mais nobres castas europeias, técnicas vitícolas e enológicas avançadas. Os países do Novo Mundo possuem, ainda, um quadro legal pouco ou nada restritivo, relativamente à permissão de plantação, das castas a utilizar e da produtividade unitária a alcançar, o que conduz a uma acérrima competitividade com os seus congéneres europeus, com a vantagem de terem ainda menores custos de produção.





