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A Vitis vinifera e as demais Vitis
A uva é a matéria-prima do vinho e o principal fator da sua qualidade. Já a videira, de onde provêm as uvas, é uma planta botanicamente classificada, que pertence ao género Vitis, dentro do qual se encontram englobadas 21 espécies – 17 americanas, 3 asiáticas e 1 européia.
As espécies americanas e asiáticas produzem uvas denominadas “comuns”, que originam vinhos inferiores, mas são apreciadas como uvas de mesa ou utilizadas para a produção de sumo de uva. Na verdade, os seus frutos, menores e menos doces, poderão desenvolver odores e sabores desagradáveis quando vinificados, sendo por este fato os seus vinhos considerados de baixa qualidade. Vitis rupestris, Vitis aestivalis, Vitis labrusca e Vitis riparia são exemplos de várias espécies de uvas americanas, cujos exemplos mais conhecidos são as variedades Concord, Isabel e Niagara.
Todavia, as uvas da espécie européia, denominada Vitis vinifera, fornecem vinhos de qualidade, desde que as características do solo, do clima e até mesmo das diversas técnicas vitivinícolas sejam adequadas.
O número de variedades de uva (castas) utilizadas na elaboração de vinhos é realmente vasta. Então, como distingui-las? É possível identificar uma determinada variedade e estabelecer as diferenças entre ela e as demais através da ampelografia, ciência que estuda as videiras e as uvas.
Desde que existam condições ideais, quer a nível do solo, quer do clima e até mesmo técnicas vitivinícolas adequadas, a Vitis vinifera origina bons vinhos. De fato, a mesma casta em solos e climas diferentes origina vinhos diferenciados, embora alguns componentes aromáticos próprios da casta se mantenham.
Porém, muitas dessas castas possuem clones geneticamente desenvolvidos para melhor adaptação a certos tipos de clima e solo e, há casos em que algumas se adaptaram realmente bem a diferentes regiões do planeta, como por exemplo a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Syrah e Riesling.
Existem, também, variedades denominadas híbridas, resultantes de cruzamentos interespecíficos ou intervarietais, como é o caso da casta sul-africana Pinotage, que resulta do cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault, também denominada Hermitage na África do Sul.
Chile - Principais Castas e Regiões Vitivinícolas
A qualidade constante dos vinhos chilenos torna este país num dos mais importantes produtores de vinhos do Novo Mundo. O clima com bastante insolação, baixo índice pluviométrico e elevadas amplitutes térmicas, faz com que os seus vinhos atinjam uma perfeita concentração de açúcar e polifenóis, destacando-se pela elegância.
Além do mais, os seus vinhos são elaborados com variedades de uva que estão entre as mais conhecidas no mundo, tanto tintas, como mais recentemente brancas. Aos Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenère, que dominaram as exportações no final do século XX, somaram-se agora os Syrah, Pinot Noir, Malbec, Sauvignon Blanc, Chardonnay e até Viognier, Gewürztraminer e Riesling muito respeitáveis e de preço médio.
Durante décadas, as vinhas estiveram concentradas num corredor de planície fértil entre os Andes e a Cordilheira da Costa, mas os incansáveis empreendedores da viticultura do Chile experimentam muito mais hoje.
O Vale de Casablanca, frio e quase costeiro, situado entre Santiago e Valparaíso, desenvolveu-se num ritmo veloz na década de 1990. Hoje em dia, o mapa vitivinícola estende-se a norte até Limarí e Elqui, em latitudes que antes eram consideradas baixas demais para a produção de vinhos de qualidade.
Agora, o Vale de Casablanca tornou-se sinónimo de qualidade de vinho branco chileno, encorajando o desenvolvimento de outra região, situada nas colinas da costa do Vale de San Antonio, que possui uma sub-região oficialmente reconhecida a sul, o Vale de Leyda, que dá prioridade às castas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Todavia, a área vitícola mais importante chilena é, sem dúvida, o Vale Central, com suas quatro regiões denominadas em alusão aos Vales do Maipo, Rapel, Curicó e Maule que atravessam a planície central, penetrando na cordilheira da costa e encontrando o mar.
Perfil dos Vinhos Degustados
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Vinho: Mirador Selection
Variedade de Uva: Chardonnay
Ano Colheita: 2006
Produtor: William Cole Vineyards
País: Chile
Região de Origem: Vale de Casablanca
Teor Alcoólico: 13,9%
Preço: R$ 45 na Di Vino
Vinho de aspeto limpo, intensidade média, que possui uma cor amarelo-palha, apresentando certos reflexos esverdeados.
Destacou-se mais no aroma, intenso, com notas cítricas e de frutas tropicais, como abacaxi e manga. Vinho que expressa as suas características varietais. Na boca demonstra ser um vinho fresco, com boa acidez. Não muito concentrado, ligeiro, porém um vinho vivo e fácil de beber. Numa avaliação final, o seu teor alcoólico é notoriamente destacado, denotando-se um ligeiro toque amargo. Médio final de boca.

Vinho: Salton Talento
Variedade de Uva: 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Tannat
Ano Colheita: 2005
Produtor: Luciano Salton
País: Brasil
Região de Origem: Tuiuty – Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul
Teor Alcoólico: 13%
Preço: R$ 65 na Di Vino
Vinho limpo, sem defeitos, de cor púrpura intensa. No nariz é um pouco fechado, mas após agitação revela notas de chocolate, tabaco e café, sentindo-se também a presença de frutas vermelhas e até mesmo de notas vegetais, como cedro. Na boca é elegante, concentrado, com pronunciada intensidade de fruta, encorpado, de taninos suaves e volumosos. Apresenta um final persistente e harmonioso.
Vinho evoluído, com potencial de envelhecimento.





