Harmonização

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Harmonização de alguns pratos típicos da Páscoa

Publicado por Inês em 22 Fev 2010 | sob: Harmonização, Páscoa, Luis Pato Vinhas Velhas, Taipa Rosé, Pericó, Casa de Sarmento Grande Escolha 2006, Château La Mauberte, Madeira H. M. Borges, Coroa de Rei Porto Tawny

A Páscoa, feriado mais importante do calendário cristão, não deixa de ser uma época de folia gastronómica. No cardápio são elaborados pratos com carnes, frutos do mar e peixes, sendo a grande estrela de consumo o bacalhau.
Uma das bebidas mais antigas da História, o vinho, é uma das favoritas para acompanhar estes diversos pratos, podendo ser tinto, branco, rosé ou até mesmo espumante. Não precisa ser mestre conhecedor no assunto para tomar uma boa taça com aquela garfada.

O branco, bem frutado Luis Pato Vinhas Velhas 2007, da Bairrada, de grande frescor e marcante caráter mineral, mostra-se a harmonização ideal para pratos à base de frutos do mar, tão típicos da Páscoa.

O Taipa Rosé 2009, da Pericó, elaborado a partir das castas Cabernet Sauvignon e Merlot, possui grande elegância e ótimo corpo para acompanhar saladas verdes com frutas, entradas à base de carnes brancas, além de ser um ótimo acompanhamento para pratos com salmão.

Além de possuir uma gastronomia muito interessante, o Alentejo é também uma das principais regiões produtoras de vinhos de Portugal. Mas sem dúvida o grande destaque é a saborosa harmonização do tinto Casa de Sarmento Grande Escolha 2006 com pratos à base de bacalhau, como o típico Bacalhau à Gomes de Sá.

Para acompanhar um outro típico prato da Páscoa, o cordeiro assado, selecionei um clássico Bordeaux, o Château La Mauberte 2003, certamente uma aposta segura para uma festiva refeição em família.

O Porto Tawny é um clássico na harmonização com algumas sobremesas típicas da Páscoa, principalmente os chocolates. A potência e doçura equilibradas do fortificado Coroa de Rei ajudam a tornar inesquecível a harmonização com bombons e ovos de Páscoa.

Já o fortificado H. M. Borges, produzido na Ilha da Madeira, é uma ótima opção para harmonizar com bolo de frutas cristalizadas como a Colomba Pascal, Pastiera di Grano ou simplesmente para finalizar em grande uma refeição.

comidas pascoa - comidas pascoa

O serviço do vinho

Publicado por Inês em 14 Jan 2010 | sob: Harmonização, Harmonização Gastronómica - Queijo & Vinho, Serviço do vinho, Regras de serviço, Escolha do vinho, Vinho branco, Vinho tinto, Vinho seco, Vinho doce, Temperatura de serviço, Decantação, Fruta, Acidez, Componentes minerais, Tanino, Álcool, Copo de prova, Vinho fortificado, Late Harvest, Copos ISO, vISÃO, Olfato, Paladar

Apreciar um vinho é uma arte que cada um poderá desenvolver individualmente. À medida que bebemos e conversamos sobre este néctar, a capacidade de distinguir as suas diferentes características desenvolve-se naturalmente.
A escolha do vinho deverá estar associada ao prato que vai ser servido, bem como aos convidados que o vão degustar. A ordem de servir os vinhos deverá obedecer a algumas regras: primeiro devem servir-se os vinhos brancos e depois os tintos; os vinhos mais leves e então os mais encorpados; os vinhos secos e depois os doces.
No momento de servir o vinho deverá ainda ter alguns cuidados, como abrir a garrafa corretamente, observar se o vinho necessita de ser decantado e verificar a temperatura de serviço.

O vinho é composto por diferentes elementos, como fruta, acidez, componentes minerais, tanino e álcool. Deste modo, para apreciar completamente a personalidade das castas e o subtil carácter dos vinhos, será também essencial utilizar um copo apropriado.
A combinação entre a apreciação do cheiro e do gosto conduzem-nos ao maravilhoso mundo do sabor, sendo o copo de prova o acessório mais importante a ser considerado aquando de uma degustação. Este influencia diretamente a prova ao permitir que se identifiquem facilmente os diversos aspectos de um vinho através dos sentidos da visão, olfato e paladar.
Em degustações técnicas são utilizados copos ISO (International Standard Organization), de formato, dimensões e material padronizados, que se prestam a todo tipo de vinho – branco, rosé, tinto, espumante, fortificado e late harvest.
O cristal do copo de prova deverá também permitir a visibilidade da cor, brilho e densidade do vinho, sem introduzir nenhum tipo de distorção. Deverá, portanto, possuir uma parede fina, incolor, sem relevos ou inscrições.

degustacao vinhos - degustacao vinhos

Harmonização de alguns Pratos Típicos Natalinos

Publicado por Inês em 01 Dez 2009 | sob: Harmonização, Harmonização por semelhança, Harmonização por contraste, Veo Grande Cabernet/Syrah, Casa de Sarmento Trincadeira, Altos Las Hormigas Malbec, EA, Errazuriz Reserva Chardonnay, Rosemount Shiraz (Diamond Label), Luis Pato Vinhas Velhas Branco, Leroy Bourgogne, Vinho do Porto Coroa de Rei Ruby, Sauternes Château Graves, Malvasia Passito Arquatum - Colli Piacentini, Espumante Ferrari Demi-Sec, Champagne Cattier Demi-Sec

As festas de fim de ano estão a caminho e com elas as deliciosas receitas natalinas, que despertam o apetite de todos nós. O tradicional bacalhau, tender, peru, arroz de Natal, chester, lombo, as rabanadas e o panettone, tornam-se um manjar dos Deuses nesta época.

Mas no meio de tantos pratos, será que existem vinhos que harmonizem bem com certos alimentos característicos desta época?
Harmonizar vinho e comida não é tarefa difícil, mas o “par perfeito” depende do modo de elaboração do prato e da estrutura do vinho. As regras mais básicas consistem em obedecer ao elemento principal do vinho e do prato, sendo, então, necessário valorizar tanto a bebida quanto o prato, sem deixar que um sobressaia em relação ao outro. De fato, a harmonização visa sobretudo um equilíbrio entre a textura e o sabor da comida e a textura e sabor do vinho.
Deste modo, pratos pesados, mais elaborados, pedem vinhos encorpados, assim como comidas delicadas deverão ser acompanhadas por vinhos mais leves. Associar vinhos e pratos de uma mesma região também pode facilitar a sua escolha.
Todavia, dever-se-á reter, sobretudo, que a harmonização é feita por complementaridade ou contraste, mas nunca por indiferença ou anulação. Contudo, não deverão existir demasiadas regras, ou correremos o risco de não aceitar desafios que nos possam levar mais longe na descoberta das combinações ideais.
Durante um jantar com vários pratos e vinhos, dever-se-á começar pelos brancos, em seguida serão servidos tintos mais leves e só então os tintos mais encorpados. Vinhos secos também deverão ser servidos primeiro que os vinhos doces.

Seguem-se algumas sugestões de harmonização para alguns pratos natalinos:

Bacalhau
A melhor combinação com bacalhau, de sabor forte é, como não poderia deixar de ser, um bom vinho português. Os vinhos do Alentejo acompanham muito bem, uma vez que esta região, por ser mais quente, produz vinhos mais frutados e menos ácidos.
Casa de Sarmento Trincadeira 2006, Portugal
EA (Eugénio de Almeida) 2007, Portugal

Tender
O tender é um género de presunto, marinado em uma solução salgada, aromatizada com cravo e, posteriormente, defumado.
Vinhos tintos ou brancos encorpados são uma boa escolha.
Errazuriz Reserva Chardonnay 2008, Chile
Altos Las Hormigas Malbec 2008, Argentina
Rosemount Shiraz (Diamond Label) 2006, Austrália

Peru
Existem diversas receitas para este típico prato natalino, desde o tradicional assado no forno e servido com farofa e batatas douradas, até aos mais elaborados, com pedaços de abacaxi e mel.
Vinhos tintos frutados e brancos igualmente frutados e ligeiramente amadeirados casam muito bem com este prato.
Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2007, Portugal
Leroy Bourgogne 2001, França
Veo Grande Reserva Cabernet/Syrah 2008, Chile

Rabanada
A textura encorpada e untuosa e o sabor doce desta sobremesa deverão ser equilibrados por um vinho igualmente doce, untuoso e encorpado.
Os vinhos ditos de sobremesa, como é o caso do Vinho do Porto e os Late Harvest formam um par perfeito.
Vinho do Porto Coroa de Rei Ruby, Portugal
Sauternes Château Graves 2004, França
Malvasia Passito Arquatum - Colli Piacentini, Itália

Panettone
O panettone, um bolo mais seco e de longa fermentação, casa muito bem com vinhos delicados e levemente doces.
Espumante Moscatel Marson
Espumante Ferrari Demi-Sec, Itália
Champagne Cattier Demi-Sec, França

Panettone  natal - Panettone  natal

O Auge da Degustação - Queijo & Vinho

Publicado por Inês em 10 Nov 2009 | sob: Degustações, Imaginário Gastronómico, Prova, Prazer efetivo da prova, Harmonização, Harmonização Gastronómica - Queijo & Vinho, Harmonização por semelhança, Harmonização por contraste

Sabendo de antemão que o imaginário gastronómico não é apenas a antecipação do sabor, mas também a expectativa do ambiente, da companhia ou até mesmo da música, o pico máximo da degustação ocorre quando o imaginário gastronómico se encontra com o prazer efetivo na prova. De fato, todos nós ainda não tivemos a oportunidade de provar diversas iguarias que figuram no nosso imaginário gastronómico, que temos a certeza que devem ser um sonho e que um dia adoraríamos experimentar.

Pensando num alimento que agrada a grande maioria do público, o queijo, tentaremos entender a razão pela qual o imaginário gastronómico se aproxima tanto do prazer real quando o saboreamos e, em especial, na companhia de um bom vinho.
Existe, definitivamente, algo mais do que apenas um hábito. A boca não é ingénua, nem se deixa convencer (apenas) pelo imaginário gastronómico, para além de que queijo e vinho se identificam como um tempo de paragem no quotidiano enquanto se saboreia e bebe. Além disso, é eminentemente um prazer social, existindo mesmo uma relação histórica entre a pastorícia, o queijo, o vinho tinto e o pão, embora radique num preconceito a associação preferencial do queijo ao vinho tinto.
De fato, os taninos, mais pronunciados em vinhos novos, perdem-se geralmente com a acidez e a gordura do queijo. Por este motivo, aconselha-se que um vinho tinto novo, de taninos robustos, não seja provado com um queijo igualmente forte e novo.
Todavia, a História poderá comprovar que, em tempos idos, era com vinho tinto, mas já com uma certa idade, que se acompanhava o queijo, criando-se deste modo um equilíbrio imenso, pois o vinho terá entretanto adquirido aromas terciários e um “bouquet”, que se harmonizam com o queijo de um modo inebriante.
A verdade é que existem outras combinações, aparentemente mais adequadas. Em termos gerais, a ligação do queijo ao vinho branco com certa idade é a ideal. Por exemplo, quando juntamos um queijo untuoso e picante, com uma certa cura, a um vinho branco mais velho. (Harmonização por semelhança)
Um outro exemplo é a harmonização de Stilton, queijo que foi buscar a sua designação à homónima aldeia britânica e que remonta ao século XI, com um Vintage, pelo açúcar do Porto e pela força do álcool. (Harmonização por contraste)
Já um mecanismo mais complicado será o de apreciar um espumante com queijo, provavelmente algum de pasta mole, de leite de vaca, embora se trate de uma ligação que pode surpreender.

Deste modo, dever-se-á reter, sobretudo, que os casamentos se fazem por complementaridade ou contraste, mas nunca por indiferença ou anulação. Contudo, não deverão existir demasiadas regras, ou correremos o risco de não aceitar desafios que nos possam levar mais longe na descoberta das combinações ideais.

queijo1 - queijo1