Harmonização Gastronómica - Queijo & Vinho
Publicações arquivadas desta categoria
Publicações arquivadas desta categoria
Publicado por Inês em 14 Jan 2010 | sob: Harmonização, Harmonização Gastronómica - Queijo & Vinho, Serviço do vinho, Regras de serviço, Escolha do vinho, Vinho branco, Vinho tinto, Vinho seco, Vinho doce, Temperatura de serviço, Decantação, Fruta, Acidez, Componentes minerais, Tanino, Álcool, Copo de prova, Vinho fortificado, Late Harvest, Copos ISO, vISÃO, Olfato, Paladar
Apreciar um vinho é uma arte que cada um poderá desenvolver individualmente. À medida que bebemos e conversamos sobre este néctar, a capacidade de distinguir as suas diferentes características desenvolve-se naturalmente.
A escolha do vinho deverá estar associada ao prato que vai ser servido, bem como aos convidados que o vão degustar. A ordem de servir os vinhos deverá obedecer a algumas regras: primeiro devem servir-se os vinhos brancos e depois os tintos; os vinhos mais leves e então os mais encorpados; os vinhos secos e depois os doces.
No momento de servir o vinho deverá ainda ter alguns cuidados, como abrir a garrafa corretamente, observar se o vinho necessita de ser decantado e verificar a temperatura de serviço.
O vinho é composto por diferentes elementos, como fruta, acidez, componentes minerais, tanino e álcool. Deste modo, para apreciar completamente a personalidade das castas e o subtil carácter dos vinhos, será também essencial utilizar um copo apropriado.
A combinação entre a apreciação do cheiro e do gosto conduzem-nos ao maravilhoso mundo do sabor, sendo o copo de prova o acessório mais importante a ser considerado aquando de uma degustação. Este influencia diretamente a prova ao permitir que se identifiquem facilmente os diversos aspectos de um vinho através dos sentidos da visão, olfato e paladar.
Em degustações técnicas são utilizados copos ISO (International Standard Organization), de formato, dimensões e material padronizados, que se prestam a todo tipo de vinho – branco, rosé, tinto, espumante, fortificado e late harvest.
O cristal do copo de prova deverá também permitir a visibilidade da cor, brilho e densidade do vinho, sem introduzir nenhum tipo de distorção. Deverá, portanto, possuir uma parede fina, incolor, sem relevos ou inscrições.
Publicado por Inês em 10 Nov 2009 | sob: Degustações, Imaginário Gastronómico, Prova, Prazer efetivo da prova, Harmonização, Harmonização Gastronómica - Queijo & Vinho, Harmonização por semelhança, Harmonização por contraste
Sabendo de antemão que o imaginário gastronómico não é apenas a antecipação do sabor, mas também a expectativa do ambiente, da companhia ou até mesmo da música, o pico máximo da degustação ocorre quando o imaginário gastronómico se encontra com o prazer efetivo na prova. De fato, todos nós ainda não tivemos a oportunidade de provar diversas iguarias que figuram no nosso imaginário gastronómico, que temos a certeza que devem ser um sonho e que um dia adoraríamos experimentar.
Pensando num alimento que agrada a grande maioria do público, o queijo, tentaremos entender a razão pela qual o imaginário gastronómico se aproxima tanto do prazer real quando o saboreamos e, em especial, na companhia de um bom vinho.
Existe, definitivamente, algo mais do que apenas um hábito. A boca não é ingénua, nem se deixa convencer (apenas) pelo imaginário gastronómico, para além de que queijo e vinho se identificam como um tempo de paragem no quotidiano enquanto se saboreia e bebe. Além disso, é eminentemente um prazer social, existindo mesmo uma relação histórica entre a pastorícia, o queijo, o vinho tinto e o pão, embora radique num preconceito a associação preferencial do queijo ao vinho tinto.
De fato, os taninos, mais pronunciados em vinhos novos, perdem-se geralmente com a acidez e a gordura do queijo. Por este motivo, aconselha-se que um vinho tinto novo, de taninos robustos, não seja provado com um queijo igualmente forte e novo.
Todavia, a História poderá comprovar que, em tempos idos, era com vinho tinto, mas já com uma certa idade, que se acompanhava o queijo, criando-se deste modo um equilíbrio imenso, pois o vinho terá entretanto adquirido aromas terciários e um “bouquet”, que se harmonizam com o queijo de um modo inebriante.
A verdade é que existem outras combinações, aparentemente mais adequadas. Em termos gerais, a ligação do queijo ao vinho branco com certa idade é a ideal. Por exemplo, quando juntamos um queijo untuoso e picante, com uma certa cura, a um vinho branco mais velho. (Harmonização por semelhança)
Um outro exemplo é a harmonização de Stilton, queijo que foi buscar a sua designação à homónima aldeia britânica e que remonta ao século XI, com um Vintage, pelo açúcar do Porto e pela força do álcool. (Harmonização por contraste)
Já um mecanismo mais complicado será o de apreciar um espumante com queijo, provavelmente algum de pasta mole, de leite de vaca, embora se trate de uma ligação que pode surpreender.
Deste modo, dever-se-á reter, sobretudo, que os casamentos se fazem por complementaridade ou contraste, mas nunca por indiferença ou anulação. Contudo, não deverão existir demasiadas regras, ou correremos o risco de não aceitar desafios que nos possam levar mais longe na descoberta das combinações ideais.
