França

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França recupera o pódio na produção mundial de vinhos

Publicado por Inês em 10 Fev 2010 | sob: Portugal, Itália, Chile, França, Espanha, Alemanha, OIV, Produção Mundial de Vinho, China, Rússia, Nova Zelândia, Estados Unidos da América, Argentina, Austrália, África do Sul, Europa, Índia, Angola

Segundo dados da OIV, organização internacional de referência no âmbito da vinha e do vinho, a França retoma o primeiro lugar da produção mundial de vinho em 2009. Os gauleses teriam perdido o pódio em 2008 para a Itália, num mercado cada vez mais competitivo.
Todavia, os 45,7 milhões de hectolitros estimados para a produção francesa em 2009 não permitem aos produtores gauleses uma vitória folgada sobre os 45,5 milhões de hectolitros dos produtores italianos, mas chegam para repor um pouco do seu orgulho ferido.

Embora ainda sem dados para a produção do ano passado na China e Rússia, a OIV prevê que, à excepção dos dois países já citados acima, todos os outros principais produtores mundiais de vinho mantenham as posições relativas que ocupavam em 2008.

Produção Mundial em milhões de hectolitros em 2009, segundo dados da OIV:
1. França - 45,7
2. Itália - 45,5
3. Espanha - 34,2
4. Argentina - 13,9
6. Austrália - 11,7
7. China - 12,0 (dados de 2008)
8. África do Sul - 9,9
9. Alemanha - 9,4
10. Chile - 8,8
11. Rússia - 7,1 (dados de 2008)
12. Portugal - 6,1

O total da produção mundial deverá situar-se entre 262,8 e 273,1 milhões de hectolitros, o que considerando a média destes dois valores (268 milhões) a coloca num nível praticamente idêntico a 2007 (266,1 milhões) e 2008 (267,8 milhões).
Estes números estão muito aquém dos anos anteriores, pelo que os analistas advertem que o atual equilibrio de forças deverá ser modificado nos próximos anos, face a condições conjunturais, quer de ordem econômica, quer a nível climatérico.
Na verdade, os hábitos de consumo também estão a mudar. Enquanto na Europa, onde se produz e consome mais de 50% do vinho produzido no mundo, a tendência é para uma redução quer a nível de produção, quer de consumo, muitos outros mercados do globo caminham a passos largos para uma nova realidade.
Hoje em dia, já não só os Estados Unidos, onde o hábito de beber vinho aumenta a cada dia, mas também a China desponta como um novo mercado alvo a ser descoberto. A Índia, Brasil e Angola, onde uma feroz concorrência já se faz sentir, também não deverão ser descartados.
No Novo Mundo, os vinhos do Chile e da Argentina há anos que estão a ganhar terreno em termos de visibilidade no resto do mundo. Até mesmo produtores ainda modestos, embora em franco crescimento, como a Nova Zelândia, por exemplo, vêem os seus vinhos ganhar novas fronteiras.

producao mundial 1 - producao mundial 1

Afinal de contas o que é o “Terroir”?

Publicado por Inês em 25 Jan 2010 | sob: Castas, Pinot Noir, Borgonha, França, Chardonnay, Bordeaux, Terroir, Grand Cru, Cru, Premier Cru, Micro-clima, Sub-solo, Solo, Clima, Topografia, Orografia, Geologia, Pedologia, Drenagem, Condução da vinha, Porta-enxerto, Intervenção humana

A palavra terroir é uma modificação linguística de formas antigas, com origem no termo em latim “territorium”.
Segundo o dicionário Le Nouveau Petit Robert (edição 1994), terroir designa “uma extensão limitada de terra, considerada do ponto de vista das suas aptidões agrícolas”.
Representa, assim, um número complexo de factores que influenciam a biologia da videira, determinando a qualidade final da uva e consequentemente do vinho resultante. Falar de terroir é falar de topografia, orografia, geologia, pedologia, drenagem, clima e microclima, condução da vinha, castas, porta-enxerto, intervenção humana, cultura, história, tradição, etc.
Poder-se-á dizer, então, que o termo terroir representa a interação entre o meio natural e os fatores humanos. De fato, não abrange somente os aspectos do meio natural (clima, solo, relevo), mas também e, de forma simultânea, os fatores humanos da produção. Na verdade, o terroir é revelado pelo homem, pelo saber-fazer local.

Hoje em dia o termo terroir remete-nos a uma conotação positiva em relação ao vinho. Contudo, nem sempre foi assim. No século XIX, em França, o termo era associado a um vinho que não tinha caráter nobre (cru). O termo terroir veio apenas a ganhar uma conotação positiva nos últimos 60 anos, quando a valorização da delimitação das vinhas, nas denominações de origem, em França, veio a distinguir critérios associados à qualidade de um vinho, incluindo o solo e as castas utilizadas, dentre outros.

Borgonha é a região do Mundo onde a noção de terroir tem melhor expressão. A superfície das vinhas ou Crus é reduzida, por vezes dividida por dezenas de proprietários, e em cada Cru, (ou Climat) existe uma grande homogeneidade de solo, subsolo, microclima, quase sempre com uma única variedade plantada (Chardonnay ou Pinot Noir), para além de existir uma homogeneidade na forma de condução e das técnicas culturais e enológicas. Já em Bordeaux, pelo tipo de parcelamento e presença de mais castas, cada Chateau é uma soma de terroirs distintos.

terroir uva - terroir uva

De fato, os Grand Cru borgonheses ou os Premier Cru bordaleses estiveram sempre ligados ao alto prestígio, à exclusividade e a preços altos.
Portanto, poder-se-á afirmar que terroir não representa apenas fatores como o clima, solo, variedade de uva e intervenção humana, mas também, história e mercado.

Curso Básico de Vinhos na Di Vino Adega & Empório

Publicado por Inês em 16 Nov 2009 | sob: Cursos, Curso - Di Vino, Degustações, Portugal, Brasil, Vinhos Verdes, Notas de prova, Vinho Verde Adega Cooperativa de Amarante Branco, Itália, Morandé Pionero Carmenère, França, Casa de Sarmento Touriga Nacional, Isla Negra Cabernet Sauvignon/Merlot, Casa de Sarmento Vinho Regional Alentejano, Chef Henrique Aquino, Veo Grande Cabernet Sauvignon, Veo Grande Cabernet/Syrah, Espumante Brut Marson Méthode Charmat, Casa de Sarmento Trincadeira, Altos Las Hormigas Malbec, Morandé Reserva Sauvignon Blanc

Que turma fantástica esta.. Sabiam que até já tenho saudades das nossas “serenatas” de sextas?
De fato, foram três noites bem intensas, que tive o prazer de compartilhar com todos vós.

Relembrando a primeira aula, começámos por definir o que era o Vinho, abordámos alguns aspectos históricos, a sua importância na sociedade e as tendências internacionais de plantação, produção e consumo. Verificámos, também, as principais diferenças entre Novo e Velho Mundo, entrando no Mundo Vitivinícola de cada país, como Chile, Argentina, Estados Unidos da América (Califórnia), África do Sul, Austrália, Nova Zelândia (Novo Mundo) e França, Itália, Portugal, Espanha e Alemanha (Velho Mundo).
Os vinhos escolhidos para análise sensorial foram:
Vinho Verde Adega Cooperativa de Amarante Branco 2007
Marson Reserva Ancelota 2003
Morandé Pionero Carmenère 2007
Vinhos estes já comentados anteriormente no blog.
Foram, ainda, degustados os vinhos: Casa de Sarmento Vinho Regional Alentejano 2006 e o Isla Negra Cabernet Sauvignon/Merlot 2007

Na segunda aula começamos por assistir um video das Regiões Vitivinícolas do Brasil, falámos das diferenças entre a espécie Vitis Vinifera e as demais espécies Vitis, abordámos as variedades de uva internacionais, como as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling e as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Syrah, entre outras tantas.
O conceito de Terroir, bem como as principais limitações para o cultivo da vinha (influências e limitações geo-climáticas) foram, também, abordados. Posteriormente, foram classificados os diversos tipos de vinhos, como frisantes, espumantes, tintos, brancos, rosés e os demais vinhos de sobremesa (fortificados e licorosos), explicando-se também os seus diversos processos de vinificação e estabilização. Finalmente, as principais diferenças entre os processos de amadurecimento e envelhecimento (madeira vs. garrafa), que o vinho sofre ao longo do tempo, foram desvendadas.
Nesta segunda aula tivemos o prazer de degustar o Espumante Brut Marson Méthode Charmat, Casa de Sarmento Trincadeira 2006 e o Altos Las Hormigas Malbec 2008, para além de outros tantos vinhos bem harmonizados com o coquetel que o Chef Henrique Aquino teve a gentileza de elaborar.

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Já na terceira e última aula começámos por discutir os princípios de degustação, os sentidos utilizados na Análise Sensorial, os critérios para apreciação e prova de vinhos, bem como os sabores elementares, procedendo-se também à classificação dos aromas do vinho.

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Outros capítulos abordados neste curso foram a guerra das rolhas (cortiça vs. sintética), o serviço do vinho (acessórios, temperatura e decantação), a interpretação do rótulo e contra-rótulo e armazenamento e guarda (condições ideais para a conservação do vinho). Finalmente, foram abordadas algumas noções de harmonização eno-gastronómicas.

Nesta aula foram devidamente avaliados os seguintes vinhos:
Morandé Reserva Sauvignon Blanc 2007
Veo Grande Reserva Cabernet Sauvignon 2008
Veo Grande Reserva Cabernet/Syrah 2008
Todos eles com ótima relação qualidade/preço.
Mas, ficou uma dúvida no final… Qual é, então, a diferença entre os dois Veos? Alguém arrisca uma sugestão?

Após a análise destes vinhos fomos, mais uma vez, contemplados com um maravilhoso coquetel preparado pelo Chef Henrique Aquino, que nos acompanhou durante as três aulas do curso. Coquetel este, que como não podia deixar de ser, bem regado com outros tantos vinhos!
O Marcos ainda teve a sorte de ser sorteado com um Bordeaux, apesar de já ter nomeado o Sr. Álvaro (o aluno mais dedicado que tive até hoje) como contemplado. Sem dúvida, um gesto nobre que teve ao me pedir que fizesse o sorteio!
No final do curso fiz, ainda, questão de brindármos à sua conclusão com um ótimo espumante argentino, o Finca Fiorella Demi Sec! Tchim, tchim.. “À nossa”!!

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Vinho e o aquecimento global

Publicado por Inês em 16 Set 2009 | sob: Reportagens, Vinho e aquecimento global, Pinot Noir, Borgonha, França

uva sol - uva sol

Esta semana, li uma notícia, que me deixou bastante intrigada: “A uva Pinot Noir está ameaçada de extinção”!
A variedade Pinot Noir é sem dúvida a protagonista de muitos vinhos, principalmente dos franceses da região de Borgonha, que primam pela sua elegância, finesse e complexidade. De fato, é na sua terra natal, Borgonha, que a Pinot Noir atinge o seu auge de qualidade. Porém, hoje há ótimos Pinot Noirs de regiões como Oregon, do Chile, África do Sul, Austrália, Argentina e Nova Zelândia, sem contar que é também uma das principais variedades de uva utilizadas na elaboração dos Champagnes.

Esta notícia, divulgada esta semana por ambientalistas do Greenpeace, alertam-nos para o efeito do aquecimento global no mundo do vinho. Esta alteração climátiva, verificada nas últimas décadas no nosso planeta tem alterado a temperatura e o regime de chuvas, afetando diretamente as características de muitos vinhos que conhecemos ao redor do planeta.

Um regime de calor mais intenso, naturalmente, altera não só o metabolismo das plantas, mas também dos animais. Climas mais quentes forçam uma maior incidência de radiações solares sobre o nosso planeta, induzindo as plantas a fazerem mais fotossíntese, que no caso das plantas se traduz em uma maior produção de açúcar. Tal fato reflete diretamente no equilíbrio de um vinho. É só lembrar que a fermentação alcoólica implica em uma conversão dos açúcares em álcool, ou seja, estes dois factores são diretamente correlacionáveis, logo uma concentração de açúcares mais elevada implicará um teor alcoólico mais elevado.
Infelizmente, parece que teremos que nos reacostumar com os aromas e sabores únicos de alguns vinhos, se nada for feito contra o aquecimento global… por isso, pessoal, protejam o nosso planeta e, consequentemente, ajudaremos a preservar as características de certos vinhos que tanto estimamos!

Um abraço a todos,
Inês