Arquivo da categoria ‘Douro’
Território vinícola português estará preparado para as tórridas temperaturas que se têm vindo a manifestar?
A propósito do artigo anterior, hoje escrevo com o intuito de questionar a capacidade de adaptação dos diversos vinhedos de Portugal, sobretudo os da Região Demarcada do Douro, para as alterações climáticas. Será que as vinhas estarão preparadas para a subida de temperaturas?
Os cientistas supõem que as temperaturas máximas poderão vir a subir cerca de quatro graus nas próximas décadas, o que numa região como o Douro significará agravar, de modo fatal, o stresse hídrico que já se verifica durante o Verão. Na verdade, o regadio da vinha, que legalmente não é permitido no Douro, está a ser encarado como uma séria hipótese para o futuro, pois ajudaria a compensar a insuficiência de humidade no solo. Porém, os especialistas acreditam que haverá outras técnicas culturais que poderão ser implementadas, como a opção por castas mais resistentes a elevadas temperaturas.
Um regime de calor mais intenso, naturalmente, altera o metabolismo das plantas, induzindo mais fortemente o processo de fotossíntese, que se traduz em uma maior produção de açúcar. Tal fato reflete diretamente no equilíbrio de um vinho. É só lembrar que a fermentação alcoólica implica em uma conversão dos açúcares em álcool, ou seja, estes dois fatores são diretamente correlacionáveis, logo uma concentração de açúcares mais elevada implicará um teor alcoólico mais elevado.
Assim, se nada for feito contra o aquecimento global, parece que teremos que nos reacostumar com os aromas e sabores únicos de alguns vinhos. Contudo, se todos nós contribuirmos para a proteção do nosso planeta, poderemos então ajudar a preservar as características de certos vinhos que tanto estimamos!

Esperemos que um dia não vejamos o nosso querido planeta Terra assim!
Sem comentários »Incêndios poderão afectar a qualidade dos vinhos portugueses
Desde o início do ano que já arderam mais de 68 mil hectares de floresta em Portugal, dos quais cerca de 10 mil se encontram localizados na região do Douro.
Para além das inúmeras consequências socio-culturais que esta catástrofe causará, possivelmente a colheita das uvas deste ano também poderá ser afetada, na medida em que o fumo libertado durante estes catastróficos incêndios poderá afectar a qualidade das uvas.
Fato semelhante também ocorreu na Austrália, em 2003 e na Califórnia, em 2008. Após serem lançados para o mercado, os vinhos destas colheitas tinham marcadamento um aroma a fumaça tão evidente, que alguns consumidores estranharam. Contudo, após estes desvastadores incêndios foram efetuados diversos estudos e pesquisas, que revelam que muitos consumidores não só não se incomodam com o aroma a fumo, como na verdade até gostam.
Resta-nos, então, esperar que os vinhos portugueses, principalmente os da Região Demarcada do Douro, sejam liberados para o mercado para verificarmos se, de fato, os incêndios provocaram algum desvio aromático. Na verdade, este aroma de fumo geralmente não é detectado durante a fermentação dos mostos, pelo que só depois de um certo período de envelhecimento é que se tornará evidente, restando-nos, então, esperar para “matar a curiosidade”!

Portugal e suas Regiões Vitivinícolas
Há muitos séculos atrás, Portugal, país de longa tradição vinícola, iniciou a sua história com a implantação da vinicultura pelos romanos.
Apesar de ser um país com apenas 590 km de comprimento e 200 de largura, ocupa o 14º lugar na produção mundial de vinhos. Neste país à beira mar plantado crescem mais de 230 variedades de uva, muitas delas antigas e raras, muito provavelmente trazidas para Portugal pelos fenícios, diretamente do Médio Oriente.
Mais do que qualquer outro país europeu, Portugal permaneceu arraigado às suas tradições. De fato, a vitivinicultura portuguesa demorou a evoluir tecnologicamente, contudo nas últimas duas décadas, como consequência do importante desenvolvimento económico, político e social do país, a vitivinicultura portuguesa experimentou grande evolução, particularmente no campo tecnológico. Fato importante é que esta modernização foi realizada sem descartar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo, a utilização de variedades de uvas autóctones e tradicionais. Com ajuda da tecnologia, estas castas, que antes originavam vinhos de qualidade inferior, passaram a originar grandes vinhos, com o aperfeiçoamento das suas características ímpares.
Portugal enfrenta, assim, a globalização de estilos e preferências de consumo, investindo na preservação das características e tradições dos seus vinhos.
Nos últimos anos, com a adesão na CE (Comunidade Europeia), em 1986, o vinho português ampliou a sua qualidade e visibilidade internacionais, conquistando uma posição merecida pela qualidade e diversidade dos seus vinhos. Diversos enólogos portugueses despontam como artistas no cenário mundial, com vários rótulos Top, ganhando prestígio internacional.
De fato, a indústria portuguesa de vinhos teve que se reestruturar dramaticamente. O Douro, Região delimitada em 1756, e as demais outras trinta e nove das cinquenta e cinco Regiões Vitivinícolas de Portugal são hoje consideradas como Denominações de Origem Controlada (DOC). A legislação DOC de Portugal é semelhante às leis de Appéllation d’Origine Contrôlée da França.
Os vinhos DOC deverão, então, atender a exigências rigorosas, estabelecidas pelo Instituto da Vinha e do Vinho, bem como por numerosas comissões locais. As exigências em relação às Regiões Vinícolas estipulam o total de hectares que podem ser plantados, a variedade de uva, o rendimento máximo, o método de vinificação, o período mínimo de envelhecimento dos vinhos, assim como as informações que deverão constar no rótulo. De fato, a maioria dos Vinhos Portugueses são denominados segundo a área geográfica de onde provêm – Douro, Dão, Bairrada, Alentejo, etc. No entanto, alguns vinhos também são rotulados de acordo com a casta, devendo respeitar o percentual mínimo, de 85 %, isto é, quando a variedade de uva é mencionada no rótulo, pelo menos 85 % das uvas desse mesmo vinho deverão ser dessa mesma variedade.
Mas, qual o meu espanto, quando soube que…
…duas dessas regiões vitivinícolas passaram a ser agora designadas de um modo diferente. O vinho regional - classificação dada a vinhos de mesa com Indicação Geográfica, tratando-se, também, de vinhos produzidos numa região específica de produção e elaborados com no mínimo 85% de uvas provenientes da mesma região e de castas identificadas como recomendadas e autorizadas - que antes era produzido na Região da Estremadura (Vinho Regional Estremadura) passou a ser designado de Vinho Regional Lisboa e o Vinho Regional Ribatejano passou a ser denominado de Vinho Regional Tejo.
De fato, esta alteração tem uma explicação lógica. O VR Estremadura, que agora passou a ser designado por VR Lisboa, deve-se ao fato desta região vitivinícola fazer fronteira direta com a capital portuguesa (Lisboa) e VR Ribatejo, que passou a denominar-se de VR Tejo, deriva do fato de o Rio Tejo banhar esta região e ter uma enorme importância na geografia portuguesa, servindo como canal de transporte de produtos no mercado português.




