Blog da Inês

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Degustação de Vinhos Portugueses da Importadora Sabor Luzitano

Terça passada realizei uma palestra, representando a Importadora Sabor Luzitano, na Enoteca e Cantina Matterello. Foi uma noite bem agradável, na companhia de todos aqueles que estiveram presentes, para degustar os deliciosos vinhos lusos que esta Importadora nos trouxe de além mar.

Os quatros vinhos degustados são oriundos das Beiras, mais propriamente da Região Demarcada da Bairrada, região cuja Denominação de Origem foi oficialmente reconhecida em Dezembro de 1979.

Começamos pelo Sarmentinho Branco Adamado, constituído pelas castas Moscatel e Chardonnay. Vinho límpido de cor cítrica com reflexos palha, apresenta um aroma exuberante, realçando as suas características varietais. Da Moscatel é evidenciado o seu aroma adocicado e da Chardonnay a sua frescura e exuberância aromáticas, bem como a sua finesse. Este Sarmentinho possui um aroma jovem, com notas cítricas e toques florais, que proporcionam um paladar requintado. É um vinho de acidez equilibrada, medianamente alcoólico, com 12,5% vol., que possui um final refrescante, companhia ideal para estas tardes quentes de Verão.

Em seguida, provámos o Casa de Sarmento Merlot 2004. Vinho limpo, de cor rubi violácea e com ligeiras nuances acastanhadas. No nariz denotou-se alguma complexidade, apresentando notas de frutas vermelhas bem maduras. No palato apresentou-se ligeiramente encorpado, com 13,0% vol., redondo, de taninos não muito agressivos e de média acidez. É um vinho honesto, sem defeitos, que culmina com um final longo e persistente.

O Casa de Sarmento Touriga Nacional 2004 veio a seguir. De cor rubi violácea e com um halo de evolução, este Touriga Nacional apresentou-se harmonioso, de estrutura sólida, com aroma intenso a frutos silvestres, com notas de caruma e de café. É um vinho encorpado, apesar do seu teor alcoólico ser de apenas 12,5% vol. e de taninos robustos e aveludados, atributos da grande personalidade desta casta. Apresenta um final de boca longo e persistente.

Finalmente, tivemos o previlégio de degustar o Casa de Sarmento Cabernet Sauvignon 2004. Este vinho monovarietal apresenta uma coloração rubi violácea, com nuances bastante intensas. Elaborado com a casta Cabernet Sauvignon, variedade de grande adaptabilidade e concentração de taninos que, por seu turno, garantem corpo, estrutura, longevidade e expressão em vinhos tintos, destaca-se pelos seus traços de aroma a cedro e frutas vermelhas bem maduras, entrelaçados com os sabores aveludados e suculentos da fruta. Apresenta-se com um teor alcoólico de 12,5% vol., sendo um vinho equilibrado e encorpado, de taninos redondos, com um persistente final de boca.

Agora, teremos que esperar por uma próxima, pois os outros vinhos desta Importadora também merecem destaque.

Proponho, então, um brinde.. “À nossa, tchim, tchim!”

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Portugal e suas Regiões Vitivinícolas

Há muitos séculos atrás, Portugal, país de longa tradição vinícola, iniciou a sua história com a implantação da vinicultura pelos romanos.

Apesar de ser um país com apenas 590 km de comprimento e 200 de largura, ocupa o 14º lugar na produção mundial de vinhos. Neste país à beira mar plantado crescem mais de 230 variedades de uva, muitas delas antigas e raras, muito provavelmente trazidas para Portugal pelos fenícios, diretamente do Médio Oriente.

Mais do que qualquer outro país europeu, Portugal permaneceu arraigado às suas tradições. De fato, a vitivinicultura portuguesa demorou a evoluir tecnologicamente, contudo nas últimas duas décadas, como consequência do importante desenvolvimento económico, político e social do país, a vitivinicultura portuguesa experimentou grande evolução, particularmente no campo tecnológico. Fato importante é que esta modernização foi realizada sem descartar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo, a utilização de variedades de uvas autóctones e tradicionais. Com ajuda da tecnologia, estas castas, que antes originavam vinhos de qualidade inferior, passaram a originar grandes vinhos, com o aperfeiçoamento das suas características ímpares.
Portugal enfrenta, assim, a globalização de estilos e preferências de consumo, investindo na preservação das características e tradições dos seus vinhos.

Nos últimos anos, com a adesão na CE (Comunidade Europeia), em 1986, o vinho português ampliou a sua qualidade e visibilidade internacionais, conquistando uma posição merecida pela qualidade e diversidade dos seus vinhos. Diversos enólogos portugueses despontam como artistas no cenário mundial, com vários rótulos Top, ganhando prestígio internacional.

De fato, a indústria portuguesa de vinhos teve que se reestruturar dramaticamente. O Douro, Região delimitada em 1756, e as demais outras trinta e nove das cinquenta e cinco Regiões Vitivinícolas de Portugal são hoje consideradas como Denominações de Origem Controlada (DOC). A legislação DOC de Portugal é semelhante às leis de Appéllation d’Origine Contrôlée da França.
Os vinhos DOC deverão, então, atender a exigências rigorosas, estabelecidas pelo Instituto da Vinha e do Vinho, bem como por numerosas comissões locais. As exigências em relação às Regiões Vinícolas estipulam o total de hectares que podem ser plantados, a variedade de uva, o rendimento máximo, o método de vinificação, o período mínimo de envelhecimento dos vinhos, assim como as informações que deverão constar no rótulo. De fato, a maioria dos Vinhos Portugueses são denominados segundo a área geográfica de onde provêm – Douro, Dão, Bairrada, Alentejo, etc. No entanto, alguns vinhos também são rotulados de acordo com a casta, devendo respeitar o percentual mínimo, de 85 %, isto é, quando a variedade de uva é mencionada no rótulo, pelo menos 85 % das uvas desse mesmo vinho deverão ser dessa mesma variedade.

Mas, qual o meu espanto, quando soube que…
…duas dessas regiões vitivinícolas passaram a ser agora designadas de um modo diferente. O vinho regional - classificação dada a vinhos de mesa com Indicação Geográfica, tratando-se, também, de vinhos produzidos numa região específica de produção e elaborados com no mínimo 85% de uvas provenientes da mesma região e de castas identificadas como recomendadas e autorizadas - que antes era produzido na Região da Estremadura (Vinho Regional Estremadura) passou a ser designado de Vinho Regional Lisboa e o Vinho Regional Ribatejano passou a ser denominado de Vinho Regional Tejo.
De fato, esta alteração tem uma explicação lógica. O VR Estremadura, que agora passou a ser designado por VR Lisboa, deve-se ao fato desta região vitivinícola fazer fronteira direta com a capital portuguesa (Lisboa) e VR Ribatejo, que passou a denominar-se de VR Tejo, deriva do fato de o Rio Tejo banhar esta região e ter uma enorme importância na geografia portuguesa, servindo como canal de transporte de produtos no mercado português.

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