Após tomar um farto pequeno almoço e antes de partirmos rumo ao Douro, decidi fazer um pequeno tour pela Pousada de Santa Marina, onde ficamos hospedados por duas noites.
Que despertar fantástico!
Logo em seguida, partimos, então, rumo ao Douro, mas não antes de fazermos um pit-stop em Amarante, para conhecer a Igreja de São Gonçalo.
Como não bastasse, decidimos ainda provar o famoso doce São Gonçalo, na Confeitaria da Ponte em frente à famosa Pousada Casa da Calçada.
Após este pequeno desvio do roteiro, chegámos à Régua, para embarcarmos numa viagem de comboio rumo à estação do Ferrão, onde partiríamos para a Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo.
O nome “Quinta Nova” teve origem na nova quinta que foi criada após a junção de duas quintas. Nossa Senhora do Carmo relaciona-se com a santa padroeira da capela que foi construída no século XVII, junto à margem do rio Douro. Naquela perigosa zona do rio, os tripulantes dos barcos rabelos eram vítimas de frequentes naufrágios, suplicando pela proteção desta santa. Assim, durante o séc XVII, na sequência de uma promessa dos mareantes, foi construída a pequena capela, albergando uma imagem em pedra desta padroeira e renomeando a propriedade para Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.
Ao chegarmos fomos extremamente bem recebidos pelo enólogo residente da Quinta, Pedro Pina Cabral, que nos explicou pormenorizadamente as características do terroir onde a Quinta se insere e as características dos vinhos aqui produzidos.
Localizada na sub região do Cima Corgo, junto ao Pinhão, os 85 hectares de vinhedos classificados com a letra A da Quinta Nova extendem-se por 1,5 km ao longo da margem norte do rio Douro, onde se inserem as castas tintas mais nobres e tradicionais da região: vinha velha (15%), Touriga Nacional (24%), Touriga Franca (20%), Tinta Roriz (17%),Tinta Barroca (11%), Tinto Cão (6%), Tinta Amarela (4%) e Souzão (3%).
As castas brancas são adquiridas de produtores habituais, que possuem vinhedos em zonas mais frescas e altas (a 600m de altitude).
As videiras desfrutam de uma excelente exposição solar – sul e poente – e beneficiam dos ventos mais quentes e secos, provocando uma maturação mais rápida e uma maior qualidade dos mostos. O microclima, de tipo mediterrânico, faz-se sentir com Verões muito quentes e Invernos muito frios e chuvosos, com precipitações médias anuais de 400 mm.
Após uma agradável conversa com vista para o rio Douro, fomos visitar a adega, extremamente bem concebida, um verdadeiro mimo!
Seguimos para o almoço na própria Quinta: chamuça de alheira com cogumelos, bacalhau lascado com puré de grão de bico e mousse de mel de rosmarinho e eucalipto, pratos estes excepcionalmente harmonizados com os vinhos assinados por Francisco Montenegro e nosso anfitrião Pedro Cabral.
Após este agradável almoço e antes de partirmos para a Quinta do Crasto, ainda tivemos oportunidade de saborear um delicioso café com o Quinta Nova LBV 2006… fantástico!!
Chegados à Quinta do Crasto, localizada na margem direita do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, para além de conhecermos as instalações do centro de vinificação, fomos também conduzidos para a sala de barricas, não antes de primeiro nos deslumbrarmos com esta magnífica vista, que apenas se tem no Douro!
Com cerca de 130 hectares, dos quais, 70 são ocupados por vinhas e com localização privilegiada na Região Demarcada do Douro, a Quinta do Crasto é uma propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. Tal como as grandes Quintas do Douro, a sua origem remonta a tempos longínquos (o nome CRASTO, deriva do latim castrum, que significa Forte Romano).
Os importantes investimentos realizados nos últimos anos, permitiram modernizar as vinhas e as instalações de vinificação, garantindo assim a produção de vinhos de mesa, tais como o Crasto, Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, Monovarietais (Tinta Roriz e Touriga Nacional) e Monovinhas (Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa), bem como categorias especiais de Vinho do Porto (LBV e Vintage).



Trabalho, escrevo e ensino sobre vinhos. Formei-me em Enologia pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, em Portugal e pela TEI of Athens, na Grécia. Proveniente de família produtora de vinhos na região do Dão, desenvolvi vários trabalhos em vinícolas em Portugal, Austrália, EUA e Itália. Hoje mantenho uma empresa de ensino, treinamento e consultoria na área de vinhos - Viavitis Cursos & Consultoria - no Brasil. Nosso objetivo é desmistificar e disseminar a cultura do vinho neste país cada vez mais ávido em descobrir o prazer que está por trás de uma taça de vinho.

