Todo o vinho está sujeito a alterações aromáticas durante o seu envelhecimento. Porém, nem todos os vinhos “envelhecem bem”, podendo adquirir cheiros e sabores desagradáveis.
A perda gradual e inevitável dos atributos olfativos descritos como frutados, florais ou vegetais de um vinho branco jovem é acompanhada, numa segunda etapa, pelo aparecimento de novos parâmetros aromáticos, que correspondem ao envelhecimento típico. Chá preto, feno, palha, nozes, cogumelos e mel são alguns exemplos desses novos parâmetros, que na grande maioria dos casos se fazem acompanhar por uma progressiva intensificação dos componentes de amargura e adstringência no palato.
Todavia, alguns vinhos evoluem de um modo atípico, apresentando cheiros tão diversos como os que lembram naftalina, detergente, sabão, roupa suja ou cera, na ausência quase total de quaisquer atributos frutados, florais ou vegetais. São, regra geral, vinhos magros, de reduzido volume de boca, que devido à sua atipicidade olfativa, costumam ser rejeitados pelos organismos oficiais de controlo sensorial na maior parte dos países produtores.



Trabalho, escrevo e ensino sobre vinhos. Formei-me em Enologia pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, em Portugal e pela TEI of Athens, na Grécia. Proveniente de família produtora de vinhos na região do Dão, desenvolvi vários trabalhos em vinícolas em Portugal, Austrália, EUA e Itália. Hoje mantenho uma empresa de ensino, treinamento e consultoria na área de vinhos - Viavitis Cursos & Consultoria - no Brasil. Nosso objetivo é desmistificar e disseminar a cultura do vinho neste país cada vez mais ávido em descobrir o prazer que está por trás de uma taça de vinho.

