Será um superprovador, um provador normal ou um não provador?

25 de março de 2010
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As pessoas do mundo do vinho andam intrigadas com os testes que permitem determinar as capacidades dos provadores. Quando a professora Linda Bartoshuk, da Universidade de Yale, publicou um trabalho pioneiro sobre o assunto, nos anos 90, dividiu a população em superprovadores, provadores normais e não provadores, embora o mundo do vinho tenha tardado em descobrir as implicações daí decorrentes. Com alguns colegas, Linda Bartoshuk identificou uma substância denominada PROP (6-n-propylthiouracil, um medicamento para a tiróide) que permite identificar quem dispõe de um número anormalmente alto ou baixo de papilas gustativas. E, assim, concluiu que sensivelmente um quarto das pessoas parece estar geneticamente programada para ter um número elevado de papilas gustativas, enquanto cerca de metade se fica pela média e os demais têm relativamente poucas.
Acontece que o PROP carece de receita médica, colocando-se alguns problemas de natureza ética na submissão ao referido teste, que implica, desde logo, o “consentimento informado” das pessoas envolvidas. Por isso, Bartoshuk desenvolveu um método alternativo para medir a densidade das papilas, que consiste em colocar corantes alimentares na língua, que depois é pressionada com um anel de plástico. Concluída a operação, se o anel de plástico tiver retido mais de 25 pontos coloridos, estaremos, aparentemente, na presença de um superprovador. No entanto, até ver, o critério só é válido para as peças vendidas nos EUA.

Todavia, Michael O’Mahony, professor de “Food, Science and Technology – Sensory Sciences” (Comida, Ciência e Tecnologia – Ciências Sensoriais), da Universidade de Davis, afirmou que “Esse teste não permite chegar a um diagnóstico que distinga os provadores normais dos hiperprovadores. O processo é muito mais complexo do que isso e, o teste em questão deturpa tudo.”

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Trabalho, escrevo e ensino sobre vinhos. Formei-me em Enologia pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, em Portugal e pela TEI of Athens, na Grécia. Proveniente de família produtora de vinhos na região do Dão, desenvolvi vários trabalhos em vinícolas em Portugal, Austrália, EUA e Itália. Hoje mantenho uma empresa de ensino, treinamento e consultoria na área de vinhos - Viavitis Cursos & Consultoria - no Brasil. Nosso objetivo é desmistificar e disseminar a cultura do vinho neste país cada vez mais ávido em descobrir o prazer que está por trás de uma taça de vinho.