Arquivo de Fevereiro de 2010
Harmonização de alguns pratos típicos da Páscoa
A Páscoa, feriado mais importante do calendário cristão, não deixa de ser uma época de folia gastronómica. No cardápio são elaborados pratos com carnes, frutos do mar e peixes, sendo a grande estrela de consumo o bacalhau.
Uma das bebidas mais antigas da História, o vinho, é uma das favoritas para acompanhar estes diversos pratos, podendo ser tinto, branco, rosé ou até mesmo espumante. Não precisa ser mestre conhecedor no assunto para tomar uma boa taça com aquela garfada.
O branco, bem frutado Luis Pato Vinhas Velhas 2007, da Bairrada, de grande frescor e marcante caráter mineral, mostra-se a harmonização ideal para pratos à base de frutos do mar, tão típicos da Páscoa.
O Taipa Rosé 2009, da Pericó, elaborado a partir das castas Cabernet Sauvignon e Merlot, possui grande elegância e ótimo corpo para acompanhar saladas verdes com frutas, entradas à base de carnes brancas, além de ser um ótimo acompanhamento para pratos com salmão.
Além de possuir uma gastronomia muito interessante, o Alentejo é também uma das principais regiões produtoras de vinhos de Portugal. Mas sem dúvida o grande destaque é a saborosa harmonização do tinto Casa de Sarmento Grande Escolha 2006 com pratos à base de bacalhau, como o típico Bacalhau à Gomes de Sá.
Para acompanhar um outro típico prato da Páscoa, o cordeiro assado, selecionei um clássico Bordeaux, o Château La Mauberte 2003, certamente uma aposta segura para uma festiva refeição em família.
O Porto Tawny é um clássico na harmonização com algumas sobremesas típicas da Páscoa, principalmente os chocolates. A potência e doçura equilibradas do fortificado Coroa de Rei ajudam a tornar inesquecível a harmonização com bombons e ovos de Páscoa.
Já o fortificado H. M. Borges, produzido na Ilha da Madeira, é uma ótima opção para harmonizar com bolo de frutas cristalizadas como a Colomba Pascal, Pastiera di Grano ou simplesmente para finalizar em grande uma refeição.

Súbito crescimento da produção vitivinícola chinesa
Segundo estatísticas divulgadas pelas organizações internacionais, o setor de vinhos continua a sofrer alterações. Por um lado, o consumo e a produção de vinho nos países tradicionais do setor encontram-se em queda, enquanto que por outro surgem novos países com rápida expansão, entre os quais, se destaca a China. De fato, a voracidade de crescimento do país faz com que nenhum setor económico possa hoje prescindir dos consumidores chineses. Isto vale até mesmo para um dos mercados mais elitizados do mundo, o dos vinhos.
A produção chinesa de vinhos cresceu a passos largos e, subitamente entrou no “top ten” dos maiores produtores de vinho a nível mundial. Segundo alguns analistas, a produção de vinho tornou-se um negócio bastante rentável no país, prevendo-se, deste modo, um crescimento contínuo e um aumento da concorrência entre produtores domésticos e estrangeiros.
A entrada do vinho nos hábitos chineses precipitou-se quando os membros do Governo, numa recepção oficial, se prontificaram a efetuar um brinde com um copo de vinho tinto, ação que, num país como a China, acabou por ter um efeito “explosivo” e mais eficaz do que qualquer campanha de marketing. Desde então as campanhas pró-vinho sucedem-se e apesar da população chinesa consumir apenas meio litro de vinho/per capita por ano, muito atrás dos 43 litros anuais dos franceses, estima-se que a demanda chinesa possa duplicar até 2013.

França recupera o pódio na produção mundial de vinhos
Segundo dados da OIV, organização internacional de referência no âmbito da vinha e do vinho, a França retoma o primeiro lugar da produção mundial de vinho em 2009. Os gauleses teriam perdido o pódio em 2008 para a Itália, num mercado cada vez mais competitivo.
Todavia, os 45,7 milhões de hectolitros estimados para a produção francesa em 2009 não permitem aos produtores gauleses uma vitória folgada sobre os 45,5 milhões de hectolitros dos produtores italianos, mas chegam para repor um pouco do seu orgulho ferido.
Embora ainda sem dados para a produção do ano passado na China e Rússia, a OIV prevê que, à excepção dos dois países já citados acima, todos os outros principais produtores mundiais de vinho mantenham as posições relativas que ocupavam em 2008.
Produção Mundial em milhões de hectolitros em 2009, segundo dados da OIV:
1. França - 45,7
2. Itália - 45,5
3. Espanha - 34,2
4. Argentina - 13,9
6. Austrália - 11,7
7. China - 12,0 (dados de 2008)
8. África do Sul - 9,9
9. Alemanha - 9,4
10. Chile - 8,8
11. Rússia - 7,1 (dados de 2008)
12. Portugal - 6,1
O total da produção mundial deverá situar-se entre 262,8 e 273,1 milhões de hectolitros, o que considerando a média destes dois valores (268 milhões) a coloca num nível praticamente idêntico a 2007 (266,1 milhões) e 2008 (267,8 milhões).
Estes números estão muito aquém dos anos anteriores, pelo que os analistas advertem que o atual equilibrio de forças deverá ser modificado nos próximos anos, face a condições conjunturais, quer de ordem econômica, quer a nível climatérico.
Na verdade, os hábitos de consumo também estão a mudar. Enquanto na Europa, onde se produz e consome mais de 50% do vinho produzido no mundo, a tendência é para uma redução quer a nível de produção, quer de consumo, muitos outros mercados do globo caminham a passos largos para uma nova realidade.
Hoje em dia, já não só os Estados Unidos, onde o hábito de beber vinho aumenta a cada dia, mas também a China desponta como um novo mercado alvo a ser descoberto. A Índia, Brasil e Angola, onde uma feroz concorrência já se faz sentir, também não deverão ser descartados.
No Novo Mundo, os vinhos do Chile e da Argentina há anos que estão a ganhar terreno em termos de visibilidade no resto do mundo. Até mesmo produtores ainda modestos, embora em franco crescimento, como a Nova Zelândia, por exemplo, vêem os seus vinhos ganhar novas fronteiras.

Chegou a WINETAG!!
A WINETAG é a primeira rede social do Brasil que conecta as garrafas de vinho aos celulares, usando etiquetas inteligentes (QR CODE), com o objetivo de levar informação ao ponto de venda e ajudar as pessoas a fazer a escolha mais acertada na hora da compra.
A WineTag foi criada para ajudar a difundir o conhecimento sobre vinhos. Além de possibilitar a troca de experiências através de uma ferramenta simples e de fácil acesso em qualquer lugar, facilita a integração de forma simples e estruturada entre empresas e clientes em potencial. Foi criada, assim, uma forma inovadora de comunicação entre consumidores de vinho, fabricantes e lojistas para disponibilizar informações, avaliações e recomendações qualificadas para apoiar a tomada de decisões do indivíduo na hora da compra ou de uma degustação.
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Dióxido de Enxofre ou Anidrido Sulfuroso, o culpado!
Muitas pessoas evitam tomar vinho, mesmo de forma moderada, devido “às fortes dores de cabeça” que este causa, contudo o principal culpado tem por nome dióxido de enxofre. Se for aplicado no mosto ou em vinhos de forma desmesurada, este produto, poderá mesmo causar esta desagradável sensação. Porém a sua utilização é regulamentada por lei. Por exemplo, nos países europeus existe um limite de 160 mg/L para vinhos tintos e 210 mg/L para vinhos brancos e rosé.
De fato, o dióxido de enxofre, mais conhecido por anidrido sulfuroso ou vulgarmente demoninado de sulfuroso, é a forma mais comum de utilização enológica do elemento enxofre e, sem dúvida alguma, o produto enológico mais utilizado nas adegas.
Usado desde a antiguidade, o enxofre é o maior aliado do homem no fabrico e preservação do vinho. Na verdade, a sua principal função é de antioxidante, mas também possui funções desinfetantes, anti-sépticas, funcionando, também, como solvente de compostos fenólicos presentes na película, dado que aumenta a extração e afina a cor dos vinhos, para além de melhorar os seus aromas.
Muitos outros produtos alimentares também contêm este conservante, como é o caso dos sucos, queijos, mariscos e sobretudo dos frutos secos já descascados e embalados, que chegam a conter cerca de 10 vezes mais teor de SO2 que o vinho.




