Para quem alimentou a esperança de que a explosão da blogosfera representava uma lufada de ar fresco, relativamente à critica e aos comentários sobre o vasto mundo dos vinhos e, permitia a entrada com direito de opinião de muita gente que se julgava sem voz – o consumidor, pois claro! – está oficialmente desenganado.
Os bloguistas, embriagados pela atenção que a novidade despertou, transformaram-se em críticos também! O discurso pomposo e oco, a linguagem cifrada, as descrições de prova enfadonhas e penosas e até as notas, numéricas, aparecem a pontuar os vinhos mais badalados da praça. Para a imitação ser (quase) perfeita, chega-se ao ponto de sugerir aos produtores que enviem amostras para a caixa postal sob pena de verem os seus vinhos ignorados.
E para acentuar o autismo, os poucos blogs colectivos onde se poderia trocar meia dúzia de experiências, cedo cederam lugar a espaços individuais onde cada um fala sozinho com a convicção inabalável que discursa para o mundo!
Mas fica a questão (ainda sem resposta): Se continuamos a poder consultar os originais porque razão haveremos de preocupar-nos com as cópias e imitações?



Trabalho, escrevo e ensino sobre vinhos. Formei-me em Enologia pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, em Portugal e pela TEI of Athens, na Grécia. Proveniente de família produtora de vinhos na região do Dão, desenvolvi vários trabalhos em vinícolas em Portugal, Austrália, EUA e Itália. Hoje mantenho uma empresa de ensino, treinamento e consultoria na área de vinhos - Viavitis Cursos & Consultoria - no Brasil. Nosso objetivo é desmistificar e disseminar a cultura do vinho neste país cada vez mais ávido em descobrir o prazer que está por trás de uma taça de vinho.


Seu comentario é uma grande verdade. Sou produtor de vinhos em Mendoza. Uma vez pedí para que Blogs de vinhos publicassem um evento que faríamos em Campinas. Um dos, solicitou uma garrafa do meu vinho para poder fazê-lo. Falta um pouco de bom senso!